O hype entre o público brasileiro pode até ter esfriado, mas a popularidade do duo instrumental Angine de Poitrine continua provocando debates na cena da guitarra. Desta vez, quem resolveu comentar o fenômeno foi Devin Townsend, que admitiu sentir certa resistência ao projeto justamente por causa da estética visual adotada pela banda canadense.
Durante entrevista ao canal Metal Global, o músico afirmou que a imagem do duo, conhecido pelos narizes de palhaço e performances excêntricas, acaba desviando sua atenção da música. Apesar da crítica, Townsend reconheceu que ainda não conhece o trabalho do grupo o suficiente para fazer uma avaliação técnica.
Devin Townsend questiona se o visual impulsiona o sucesso da banda
Ao comentar o Angine de Poitrine, Townsend disse que o principal incômodo está na impressão de que a identidade visual possa ter se tornado mais relevante do que a música.
“Isso me deixa louco, porque é a questão da máscara. Eles usam um nariz grande de palhaço e, por isso, todo mundo gosta muito. A música parece muito boa, mas preciso escolher minhas palavras com cuidado. Eu não ouvi o suficiente para fazer uma avaliação musical precisa.”
O guitarrista também levantou uma reflexão que vem dividindo opiniões entre músicos e fãs:
“Eles teriam a mesma atenção se não estivessem usando aqueles narizes? Muita gente me enviou o som deles ao mesmo tempo que acabei me recusando a ouvir. Até agora, eles simplesmente me irritaram. Mas pessoas próximas dizem que a música é excelente, então levem minha opinião com ressalvas.”
Abaixo, você confere a entrevista completa:
Duo afirma que sucesso aconteceu de forma espontânea
Enquanto Townsend questiona o peso da estética na repercussão do projeto, os integrantes da banda garantem que nunca houve uma estratégia de marketing para viralizar.
Em entrevista à CBC, o baterista Klek afirmou que a dupla apenas aproveitou o momento certo.
“Fazemos isso há muito tempo. Aconteceu de essa ideia específica se conectar com muitas pessoas. Não somos gênios por trás de tudo. Apenas pegamos uma onda que apareceu na hora certa.”
O guitarrista Khn compartilha da mesma visão. Segundo ele, o objetivo sempre foi criar música e dividir essa experiência com outras pessoas, sem imaginar que o projeto alcançaria tamanha repercussão.
Música, performance e identidade visual continuam dividindo opiniões
Formado por apenas dois integrantes, o Angine de Poitrine ganhou notoriedade internacional ao combinar composições de math rock, afinações microtonais e uma performance teatral marcada pelo uso de máscaras e figurinos pouco convencionais.
Para parte do público, justamente essa identidade visual ajuda a apresentar uma proposta artística completa. Já para outros músicos, como Devin Townsend, permanece a dúvida: até que ponto o sucesso vem da música e quanto dele é impulsionado pelo impacto visual?
Independentemente da resposta, a discussão evidencia um tema recorrente na indústria musical atual: em tempos dominados pelas redes sociais e vídeos curtos, imagem e performance podem ser tão determinantes para a popularidade quanto a qualidade musical. No caso do Angine de Poitrine, o debate parece estar longe do fim.




