Mesmo sendo reconhecido por um dos timbres e fraseados mais marcantes da história do rock, David Gilmour nunca escondeu que construiu sua identidade estudando profundamente outros guitarristas. Entre todas as influências, uma ocupa lugar especial: o clássico Blues Breakers with Eric Clapton, lançado em 1966 por John Mayall & the Bluesbreakers.
Segundo o guitarrista do Pink Floyd, esse foi um dos discos mais importantes de sua formação musical. Tanto que ele acredita que qualquer guitarrista em início de carreira deveria passar pelo mesmo processo de aprendizado.
“Passei um tempo tentando aprender a tocar os solos deles perfeitamente. Eu sugiro que qualquer jovem músico tente fazer isso. Você vai acabar sabendo tocar as músicas deles muito bem.”
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Um método de estudo baseado na prática
Antes de desenvolver o fraseado melódico que o tornou referência para gerações, Gilmour dedicou inúmeras horas a reproduzir, nota por nota, os solos de Eric Clapton presentes em Blues Breakers.
O álbum marcou a fase em que Clapton liderava o movimento do blues britânico após deixar os Yardbirds, reunindo interpretações de clássicos como Hideaway, de Freddie King, Ramblin’ on My Mind, de Robert Johnson, além de composições próprias como Double Crossing Time.
Para Gilmour, o objetivo nunca foi copiar indefinidamente seus ídolos, mas ampliar o próprio vocabulário musical.
“Com o tempo, você encontrará seu próprio estilo a partir disso. Ele surge naturalmente, livre da cópia.”
Muito além da velocidade
David Gilmour já afirmou diversas vezes que nunca teve interesse em impressionar pela velocidade. Seu foco sempre esteve na construção de melodias, dinâmica e expressão.
Nesse processo, Eric Clapton foi apenas uma das peças do quebra-cabeça. O guitarrista também estudou profundamente Hank Marvin, dos Shadows, além de Jimi Hendrix e artistas ligados ao blues tradicional.
Em entrevista concedida à Guitar World em 1988, Gilmour relembrou esse período.
“Quando eu era jovem, sentei e aprendi muitos dos solos clássicos de blues de Eric e Hendrix, além de estudar discos antigos de Howlin’ Wolf.”
Embora hoje não pense conscientemente em clichês do blues, ele reconhece que essa linguagem continua presente em sua forma de tocar.
A influência de Clapton na construção do som de Gilmour
Apesar de seguir um caminho artístico bastante diferente do de Eric Clapton, Gilmour considera que o estudo do guitarrista britânico foi essencial para desenvolver sua própria voz no instrumento.
Em vez de competir com seus ídolos, ele transformou aquelas referências em uma linguagem própria, baseada em bends expressivos, sustain, fraseado melódico e uso inteligente dos espaços entre as notas.
O resultado é um estilo que ajudou a definir a identidade sonora do Pink Floyd e influenciou incontáveis guitarristas nas últimas cinco décadas.
Para Gilmour, a mensagem permanece atual: aprender com os grandes mestres continua sendo um dos caminhos mais eficazes para descobrir uma identidade musical genuína.




