Nos últimos anos, o nome do brasileiro Felipe Lhamas passou a circular com frequência entre guitarristas, produtores e músicos de estúdio fora do Brasil. Hoje, mais da metade do público que acompanha o guitarrista nas redes sociais está no exterior, e ele grava regularmente para artistas de vários países sem sair do seu home studio, em Indaiatuba, no interior de São Paulo.
A musicalidade e o domínio sobre timbre de guitarra colocaram o trabalho de Felipe no radar de nomes como Joe Bonamassa e Dan Huff. Ambos acompanham o brasileiro nas redes sociais, assim como outros artistas. Huff, inclusive, um dos músicos que ajudaram a construir o som do pop e do rock dos anos 1980, elogiou um vídeo em que Felipe toca um solo seu.
As conquistas vêm se acumulando, e a mais recente envolve o Roxette.
Como o convite aconteceu
Felipe contou à Guitarload que Peter Düring, que já o acompanhava no Instagram há algum tempo, foi quem o procurou. Düring lidera a banda do Joyride – The Musical, espetáculo oficial do Roxette, e já excursionou com alguns dos maiores nomes da música do seu país.
A proposta era que Felipe gravasse as guitarras das novas versões de quatro sucessos da banda sueca para a nova fase do musical, que começa em outubro de 2026. O espetáculo tem como coprodutor Per Gessle, que fundou o grupo ao lado de Marie Fredriksson.
“Ele me seguia no Instagram, mas eu ainda não o seguia. Na hora, eu até duvidei. Eu sabia que vinha atingindo muitas pessoas de fora com meu trabalho, mas foi um salto muito rápido. Nunca peguei um trabalho dessa magnitude.”
Liberdade para imprimir a própria sonoridade
A ideia era regravar as faixas com uma roupagem mais moderna, sem apagar a identidade das versões originais. Düring pediu a Felipe que preservasse a maioria das linhas, mas deu a ele liberdade para acrescentar o que achasse que funcionaria em cada música, incluindo arranjos.
No fundo, o produtor buscava justamente aquilo que tornou o brasileiro conhecido: a sua sonoridade e o seu jeito de tocar. Em vez de reproduzir os sons das gravações originais, Felipe pôde imprimir a própria identidade, e o resultado respeita a essência das canções sem abrir mão da assinatura de quem as tocou.
Ao explicar como chegou aos timbres das canções, Felipe conta que partiu do próprio repertório de sons. A guitarra mais usada nas sessões foi uma Telecaster, ao lado de outros instrumentos da Carrozza que fazem parte do seu arsenal.
“No geral, os cleans, os drives, tudo foram os meus sons. São os timbres que eu criei e que uso habitualmente nas redes sociais e em outras gravações.”
Em “Joyride”, “Listen to Your Heart”, “The Look” e “It Must Have Been Love”, que ganhou o mundo na trilha de Uma Linda Mulher, todas as guitarras passaram pelas mãos dele, das bases limpas e com drive aos solos e às dobras.
Para Felipe, o retorno mais gratificante veio do próprio Düring, que elogiou o resultado e disse esperar trabalhar com ele de novo em breve.
Além do espetáculo, as gravações devem aparecer nos teasers e no material de divulgação do Joyride. As faixas não estão nas plataformas de streaming, embora um lançamento futuro não esteja descartado.
Aprenda timbre de guitarra com Felipe Lhamas
Quem quiser entender como Felipe constrói os timbres que chamaram a atenção de nomes como Joe Bonamassa, Dan Huff e Peter Düring pode aprender diretamente com ele.
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