Zakk Wylde voltou a questionar uma das discussões mais antigas entre guitarristas: quanto a madeira influencia o timbre de uma guitarra elétrica? Em entrevista à revista Guitar World, o líder do Black Label Society afirmou que os captadores têm papel central no resultado sonoro e citou experimentos nos quais eles foram instalados em objetos pouco convencionais.
A declaração surgiu durante uma conversa sobre a nova linha de violões da Wylde Audio, marca do guitarrista que passou a produzir instrumentos acústicos após se concentrar em guitarras elétricas. Ao falar sobre a escolha de materiais, Wylde explicou que sua visão sobre as madeiras mudou com o tempo.
Zakk Wylde coloca os captadores no centro da discussão
O guitarrista relembrou que, quando era mais jovem, lia entrevistas nas quais músicos como Yngwie Malmsteen comentavam as diferenças de timbre entre instrumentos construídos com madeiras distintas. Malmsteen também falava sobre mudanças sonoras ao substituir braços de maple por versões de rosewood.
Para Wylde, porém, a influência da madeira na guitarra elétrica não é tão determinante quanto muitos acreditam. Ele comparou os captadores a microfones e mencionou um experimento no qual um deles teria sido instalado em um bloco de concreto, mantendo o mesmo braço de guitarra. Segundo o músico, o resultado sonoro teria sido praticamente idêntico ao de uma guitarra convencional.
Wylde também citou um teste ainda mais inusitado, no qual captadores e um braço de guitarra teriam sido usados para registrar o som de um micro-ondas. De acordo com o guitarrista, a gravação teria apresentado resultado semelhante ao de uma guitarra elétrica.
As histórias reforçam seu ceticismo em relação às discussões sobre as características tonais de madeiras como ash, maple, alder, mahogany e rosewood. Os experimentos, no entanto, foram mencionados pelo músico na entrevista e não constituem, por si só, uma demonstração conclusiva de que a madeira não influencia o som de guitarras elétricas.
E os violões da Wylde Audio?
A posição de Wylde não significa que ele descarte diferenças entre materiais em todos os instrumentos. Ao comentar a nova linha de violões Grand Auditorium da Wylde Audio, o guitarrista reconheceu que a escolha das madeiras também faz parte da construção e da identidade sonora desses instrumentos.
Em tom bem-humorado, ele brincou que alguns amigos não conseguem perceber diferenças entre seus violões porque não prestam atenção suficiente. Na sequência, sugeriu, também em tom de piada, que a quantidade de álcool consumida durante uma noite poderia afetar a percepção sonora.
A discussão sobre madeiras segue dividindo guitarristas, fabricantes e luthiers. A fala de Wylde acrescenta mais uma voz conhecida ao debate, mas também evidencia uma distinção importante: questionar o peso da madeira no timbre de uma guitarra elétrica não significa afirmar que todos os materiais produzem resultados idênticos em qualquer tipo de instrumento.





