O trabalho nos bastidores de uma grande turnê exige precisão absoluta, resistência física e sangue frio. Quem revela isso é Doug Redler, técnico de guitarra que já trabalhou com nomes como Slash, K.D. Lang e Black Crowes, em conversa com o canal Shane Theriot’s Guitar Channel.
Com mais de três décadas de experiência, Redler detalhou como é atuar como braço direito de um dos guitarristas mais influentes do rock. Entre as funções diárias, está a manutenção completa das guitarras utilizadas no palco, muitas vezes sob pressão de tempo extrema.
Rotina intensa inclui troca diária de cordas e esforço físico constante
Segundo Redler, a intensidade da execução de Slash impacta diretamente na durabilidade das cordas. Isso exige substituições frequentes, muitas vezes em várias guitarras por apresentação.
Eu trocava as cordas todos os dias. Seis, sete, oito guitarras, no mínimo. Além disso, precisava esticar as cordas e garantir que tudo estivesse ajustado”
Doug Redler
O esforço repetitivo cobrava seu preço. O técnico afirma que o desgaste nas mãos era tão alto que os dias de folga eram dedicados exclusivamente à recuperação física.
Falha durante preparação quase comprometeu performance ao vivo
Um dos episódios mais tensos aconteceu durante a turnê “World on Fire”, em 2015. Redler precisou adaptar uma guitarra de dois braços pouco antes do início do show.
O instrumento exigia a remoção das capas dos captadores, que estavam soldadas. Sem sua bancada completa de ferramentas e com o tempo se esgotando, o processo se tornou um risco.
Durante o procedimento, uma das molas dos captadores se soltou e desapareceu no palco.
“Eu já estava bastante nervoso, e aquela mola voou. Era um palco de madeira antigo, e eu não tinha peças reservas comigo”, relembrou.
Solução aos 45 do 2º tempo evitou problema maior no palco
Com o show prestes a começar, Redler iniciou uma busca contra o tempo. A peça era essencial para o funcionamento adequado do captador.
“Procurei por uns 15 minutos, e o tempo estava acabando. Era hora do show”, afirmou.
A solução veio segundos antes do início da apresentação. O técnico conseguiu encontrar a mola e finalizar o reparo, evitando falhas no instrumento durante a performance.
Bastidores evidenciam importância do técnico na performance final
Além da manutenção, Redler desempenhava papel ativo durante os shows. Em determinados momentos, era responsável por acionar efeitos no pedalboard de Slash.
“Se ele estivesse em um solo, eu precisava ativar um boost ou chorus”, explicou.
A função exige atenção total e comunicação direta com o músico. Segundo ele, a relação com Slash sempre foi aberta, permitindo ajustes e correções rápidas após cada apresentação.
O relato reforça o papel essencial dos técnicos de guitarra na entrega sonora de grandes turnês. Muito além da manutenção, esses profissionais garantem estabilidade, timbre e confiabilidade no palco.
Em performances de alto nível, qualquer falha pode comprometer a experiência do público. Por isso, o trabalho invisível nos bastidores se torna decisivo para o resultado final.
Abaixo, você confere a entrevista completa:




