O guitarrista Joe Bonamassa levantou um debate que vai além do timbre. Para ele, a experiência sonora também passa pelos olhos.
Durante participação no podcast No Cover Charge, o músico afirmou que equipamentos modernos podem não ter o mesmo impacto visual dos setups analógicos clássicos. A reflexão gira em torno da ideia de que estética e som caminham juntos no palco.
“As pessoas ouvem com os olhos”, diz Bonamassa
Bonamassa usou Eddie Van Halen como exemplo para ilustrar seu ponto. Ele propôs um cenário hipotético comparando rigs vintage com soluções digitais atuais.
Segundo o guitarrista, parte do fascínio do som de Van Halen também vinha da imponência visual do equipamento. Amplificadores grandes, efeitos analógicos e stacks completos ajudavam a construir a experiência.
Na comparação, ele questiona como seria a percepção se o guitarrista surgisse no palco usando um Neural DSP Quad Cortex e uma guitarra moderna, em vez de um setup clássico com Marshall e pedais vintage.
Bonamassa deixou claro que não desmerece a tecnologia atual, mas acredita que o impacto visual influencia diretamente a forma como o público percebe o som.
Nerdville e a paixão por equipamentos vintage
A opinião do músico também reflete sua relação com equipamentos. Seu acervo pessoal, conhecido como Nerdville, reúne milhares de peças raras.
A coleção inclui mais de 600 guitarras, além de amplificadores e pedais históricos. Segundo ele, o crescimento foi tão grande que já considera reduzir o ritmo de aquisições.
Esse envolvimento reforça sua preferência por setups tradicionais, tanto pela sonoridade quanto pela estética no palco.
Nem todos concordam com a importância do visual
Apesar da visão de Bonamassa, outros profissionais da indústria seguem por outro caminho. Chad Zaemisch, técnico de guitarra de James Hetfield, defende abordagens mais modernas.
Ele cita o show Freeze ‘Em All, realizado pelo Metallica na Antártida, como ponto de virada. Na ocasião, limitações ambientais impediram o uso de amplificadores tradicionais.
A solução foi adotar sistemas digitais, o que abriu novas possibilidades para o show. Segundo Zaemisch, a mudança trouxe mais flexibilidade e permitiu explorar elementos visuais como telões e cenários dinâmicos.
Debate segue entre tradição e inovação
A discussão evidencia um contraste cada vez mais presente no universo da guitarra. De um lado, a tradição dos grandes rigs analógicos. Do outro, a praticidade e versatilidade dos sistemas digitais.
Enquanto alguns músicos valorizam o impacto visual e a herança estética, outros priorizam eficiência e novas possibilidades de performance.
No fim, a frase de Bonamassa sintetiza bem o dilema: para muitos, o som não é apenas ouvido. Ele também é visto.




