Lee Ritenour é frequentemente associado às guitarras Gibson ES-335 e L-5, mas a Fender também ocupa um lugar importante em seu equipamento. Em entrevista à Ultimate Guitar, o músico explicou como utiliza a Stratocaster em gravações e detalhou uma configuração de amplificadores pouco convencional, que apelidou de “5.1”.
O sistema reúne três amplificadores posicionados à esquerda, ao centro e à direita do palco. Nas extremidades ficam dois Fender Twin Reverbs, enquanto o centro costuma ser ocupado por um Mesa Boogie Triple Rectifier. A combinação permite distribuir os efeitos e o sinal mais limpo de maneiras diferentes, conforme a acústica de cada apresentação.
“Todos os amplificadores recebem o timbre, e os Fenders recebem tudo em termos de compressão, distorção, reverb, delay e noise gate”, explicou Ritenour. O amplificador central também recebe compressão, distorção e noise gate, mas não recebe delay ou reverb. Dessa forma, mantém uma resposta mais seca.
Como funciona o sistema “5.1” de Lee Ritenour
A disposição dos três amplificadores oferece ao técnico de som diferentes possibilidades de ajuste. Em um clube com boa acústica, por exemplo, ele pode aumentar o volume dos três equipamentos e distribuir o sinal estéreo. Já em um teatro com reverberação mais intensa, pode privilegiar o amplificador central, reforçando a presença do sinal mais limpo.
Em ambientes menores e secos, como o Baked Potato, em Los Angeles, a estratégia pode ser invertida: os Twin Reverbs ganham mais volume para acrescentar ambiência ao conjunto.
O guitarrista também explicou que prefere utilizar monitores de palco estéreo, em vez de sistemas de retorno intra-auriculares. Com os três amplificadores posicionados atrás dele e o retorno estéreo à frente, Ritenour encontrou uma configuração que considera adequada às suas necessidades ao vivo.
“Por isso chamo de ‘5.1’”, resumiu, fazendo referência à distribuição espacial do som.
A Stratocaster como outra cor no som de Ritenour
Embora as guitarras Gibson sejam as mais associadas à trajetória do músico, a Fender Stratocaster também aparece em seu repertório. Ritenour explicou que o modelo nunca ocupou o mesmo papel de suas ES-335 e L-5, mas funcionou como uma alternativa tonal em determinados trabalhos.
“Historicamente, tenho sido associado à Gibson 335 e à minha L-5. A Stratocaster sempre foi mais uma cor”, afirmou. Segundo ele, o instrumento apareceu em alguns de seus álbuns e fazia parte de sua paleta sonora durante os trabalhos em estúdio.
Uma Stratocaster de 1958 estava entre os instrumentos perdidos no incêndio de Woolsey, em 2018. Na ocasião, o músico perdeu cerca de 100 guitarras, 40 amplificadores e seu estúdio em Malibu. Ele conseguiu sair do local com apenas sete instrumentos.
Desde então, Ritenour reconstruiu o espaço de gravação e voltou a reunir equipamentos. Atualmente, mantém cerca de 20 guitarras em seu novo estúdio, integrado à residência e projetado para oferecer condições acústicas adequadas às gravações.






