O baixista e vocalista Les Claypool afirmou que escolheu o baixo ainda jovem por não se identificar com o som da guitarra, que descreveu como “fraco” naquele momento de sua formação musical.
Conhecido por sua abordagem pouco convencional à frente do Primus, o músico explicou que desde o início percebeu no baixo uma resposta sonora mais rica, com maior presença e possibilidade de expressão, mesmo em uma época dominada pela estética da guitarra.
A declaração foi feita em entrevista ao The Guardian, na qual Claypool também comentou como essa escolha inicial acabou moldando toda a sua identidade artística ao longo das décadas.
Escolha pelo baixo ocorreu em um cenário dominado pela guitarra
Claypool destacou que sua decisão ocorreu em um contexto em que a guitarra ocupava posição central na cultura musical, impulsionada pela influência de Eddie Van Halen.
Segundo ele, a maioria dos músicos buscava reproduzir aquele estilo, o que tornava o baixo uma escolha menos comum entre iniciantes.
Essa mudança de direção acabou impactando sua relação com Hammett, que esperava sua participação no projeto inicial.
Anos depois, o próprio Claypool afirmou ter descoberto que o guitarrista ficou incomodado com sua saída.
Estilo combina função rítmica com protagonismo dentro do arranjo
Ao longo da carreira, Claypool desenvolveu uma linguagem própria no instrumento, marcada pela combinação de técnicas como slap, tapping e abordagens percussivas.
Seu estilo parte da função tradicional do baixo, mas frequentemente avança para territórios ocupados por guitarras, criando linhas que sustentam a base e, ao mesmo tempo, adicionam elementos rítmicos e melódicos.
Segundo o músico, sua intenção sempre foi expandir o papel do baixo sem abandonar sua função estrutural dentro da música.
Ele resume essa ideia como a tentativa de manter a base firme enquanto incorpora partes que dialogam com a guitarra rítmica, criando uma textura mais densa no conjunto.
Audição para o Metallica expôs diferenças de abordagem
Durante a entrevista, Claypool também relembrou sua audição para o Metallica, realizada após a morte de Cliff Burton. O convite surgiu em um momento delicado para a banda, que buscava um substituto para um de seus membros mais importantes. Apesar da proximidade com o guitarrista Kirk Hammett, colega de escola, a experiência evidenciou diferenças claras de repertório e abordagem musical.
Claypool relatou que não tinha dimensão da popularidade do grupo na época e sugeriu tocar algo do repertório dos The Isley Brothers, o que não gerou reação positiva. O episódio ilustra o distanciamento entre o universo criativo do músico e o direcionamento estético da banda naquele período.
Relação com Kirk Hammett começou antes da fama
A conexão entre Claypool e Hammett remonta à adolescência, quando o guitarrista tentou envolvê-lo em um de seus primeiros projetos musicais.
Na ocasião, Hammett entregou fitas cassete com repertório para audição, incluindo “Sunshine Of Your Love”, do Cream, além de gravações de Jimi Hendrix, que Claypool ainda não conhecia.
Apesar do contato inicial com esse repertório, ele optou por não seguir adiante como vocalista, alegando insegurança com sua voz naquele estágio. Posteriormente, acabou ingressando em outro projeto já como baixista, decisão que influenciaria diretamente o rumo de sua carreira.
Novo álbum com Sean Ono Lennon explora temas contemporâneos
Além das declarações sobre sua trajetória, Claypool também promoveu seu novo trabalho ao lado de Sean Ono Lennon. A dupla integra o projeto The Claypool Lennon Delirium, que prepara o lançamento do álbum The Great Parrot-Ox and the Golden Egg of Empathy.
O disco apresenta 14 faixas e foi concebido como uma obra temática, abordando questões como moralidade, mortalidade e os impactos da inteligência artificial. O lançamento está previsto para 1º de maio.
Trajetória reforça uma escolha guiada por percepção sonora
A fala de Claypool revela que sua escolha pelo baixo não foi resultado de estratégia ou tendência, mas de percepção direta sobre o som e a função do instrumento.
Ao longo dos anos, essa decisão se consolidou em uma abordagem que ampliou o papel do baixo dentro do rock, tanto em termos técnicos quanto de linguagem.
Sua trajetória indica que, mais do que seguir padrões estabelecidos, o desenvolvimento musical pode surgir de uma leitura pessoal sobre timbre, função e espaço dentro do arranjo.




