A discussão sobre o uso de inteligência artificial na música ganhou mais um capítulo. Desta vez, quem saiu em defesa da tecnologia foi Luke Steele, vocalista da banda Empire of the Sun, que comparou as ferramentas de IA a um “pedal de guitarra realmente inteligente”, capaz de ampliar as possibilidades criativas de quem souber utilizá-las.
Durante entrevista à iHeartRadio Canada, Steele afirmou que a IA deve ser encarada como uma ferramenta de produção, e não necessariamente como uma ameaça à criação artística.
“A IA é como um pedal de guitarra realmente inteligente. Ela pode empoderar artistas que saibam como usá-la”, afirmou o músico.
IA pode ampliar a criatividade, diz Steele
Na conversa, o cantor reconheceu que o avanço acelerado da tecnologia exige adaptação dos músicos.
“Acho que é preciso ter cuidado, porque ela é muito poderosa. Vai fortalecer os artistas que souberem utilizá-la, e eles se tornarão praticamente imparáveis. Se você não acompanhar, ela vai simplesmente te engolir”, declarou.
A fala reforça uma posição que Steele já vinha demonstrando nos últimos meses.
Ferramentas de IA já fazem parte do processo criativo da banda
Em abril, durante entrevista à revista Clash, o músico revelou que o Empire of the Sun já incorporou ferramentas de inteligência artificial ao processo de composição.
Segundo ele, a banda utiliza plataformas como o Base44 e um sistema chamado Song Mountain, descrito como um banco de referências capaz de reunir diferentes estilos de escrita, idiomas, textos históricos, citações, conversas cotidianas e outras fontes para estimular novas ideias de letras.
Na visão de Steele, a IA não substitui a criatividade humana, mas amplia as possibilidades durante o processo de criação.
Debate continua dividindo a indústria musical
As declarações de Luke Steele surgem em um momento em que a inteligência artificial continua dividindo opiniões entre músicos e profissionais da indústria.
Nos últimos meses, artistas como Sophie Burrell, Sophie Lloyd e o criador de conteúdo Rhett Shull criticaram o uso de IA para reproduzir estilos musicais, imagens e conteúdos sem autorização, levantando preocupações sobre direitos autorais e uso indevido de obras criativas.
Em contrapartida, nomes como Boy George também manifestaram apoio à tecnologia, afirmando que ela pode funcionar como uma ferramenta útil para composição e desenvolvimento de ideias.
Embora o debate sobre ética, autoria e treinamento de modelos de IA permaneça longe de um consenso, declarações como as de Luke Steele mostram que parte dos músicos já enxerga a inteligência artificial como um recurso criativo que tende a ocupar um espaço cada vez maior dentro dos estúdios.



