Aos 17 anos, Richie Kotzen já era apontado como uma das maiores revelações da guitarra instrumental. Mas foi justamente durante a gravação do seu primeiro disco que ele chegou a uma conclusão que mudaria o rumo da sua carreira: não tinha paixão suficiente pela guitarra instrumental para seguir esse caminho.
A revelação foi feita em entrevista a Rick Beato, youtuber, multi-instrumentista, produtor musical e educador norte-americano.
Kotzen contou que assinou com a Shrapnel Records ainda adolescente, após enviar fitas demo ao produtor Mike Varney. O selo era conhecido por lançar guitarristas virtuosos como Greg Howe, Jason Becker, Vinnie Moore e Tony MacAlpine, e o jovem Richie parecia o candidato perfeito para esse universo. Mas o processo de gravar o álbum em San Francisco revelou algo que ele não esperava.
“Eu realmente percebi rapidamente que não tenho paixão suficiente pela guitarra instrumental para fazer disso minha trajetória”, disse Kotzen. “Quando aquele disco ficou pronto, eu soube que não pertencia a esse jogo. Precisava fazer algo com vocais.”
A conversa com Mike Varney
Kotzen relatou que, ao dividir esse sentimento com Varney, o produtor foi direto: se ele queria seguir com música vocal, teria que ser o próprio cantor. “Ele disse que, se eu fosse fazer isso, teria que ser o vocalista”, lembrou o guitarrista.
Na época, Kotzen admitiu que não levava o canto muito a sério. Mas aceitou o desafio e começou a buscar referências vocais. Paul Rodgers e o Rod Stewart da fase inicial se tornaram seus modelos. A influência do soul e do R&B que ele absorveu crescendo na Filadélfia também foi determinante, especialmente Sam Moore, do duo Sam & Dave, que moldou aquele timbre rouco e encorpado que se tornaria sua marca.
Com o tempo, outros nomes foram entrando no radar. Kotzen mencionou que o álbum Introducing the Hardline, de Terence Trent D’Arby, o impactou profundamente. “Eu perdi a cabeça. Aprendi cada detalhe daquele disco do ponto de vista vocal”, contou.
Foi nesse período que ele simplesmente transferiu a energia que colocava na guitarra para o canto. Sem abandonar o instrumento, mas redefinindo sua relação com ele. O resultado é o que o mundo conhece hoje, um artista que canta e toca com igual convicção, algo raro no universo do rock.
Assista a entrevista na íntegra no vídeo abaixo:




