O guitarrista Richie Kotzen voltou a comentar sobre os rumos da guitarra contemporânea e fez uma análise crítica do cenário atual. Em entrevista ao podcast Mighty VH, o músico afirmou que os guitarristas de hoje atingiram níveis técnicos impressionantes, mas, em muitos casos, isso estaria acontecendo em detrimento do valor artístico e criativo da música.
Segundo Kotzen, as redes sociais contribuíram para uma mudança significativa na forma como a guitarra é consumida e apresentada ao público. Embora reconheça o talento extraordinário de muitos músicos da nova geração, ele acredita que algo importante acabou ficando para trás.
“Estamos em uma situação muito estranha”, afirmou o guitarrista ao refletir sobre a evolução do instrumento nas últimas décadas.
Kotzen cita Eddie Van Halen como exemplo de inovação aliada à composição
Ao comparar o cenário atual com a época em que iniciou sua carreira, Kotzen destacou que grandes guitarristas do passado não eram admirados apenas pela técnica, mas também pela capacidade de criar músicas marcantes.
Entre os nomes citados estão Eddie Van Halen, Zakk Wylde e Nuno Bettencourt. Para ele, esses músicos representavam o conceito de “músico completo”, combinando virtuosismo, identidade artística e composição.
“Eddie era inovador dentro do contexto de grandes canções”, explicou Kotzen, acrescentando que havia um valor criativo evidente no trabalho desses artistas.
“Os músicos tocam mais, mas falta a criação de canções”
Durante a conversa, Kotzen reconheceu que muitos guitarristas contemporâneos executam passagens muito mais complexas do que aquelas que o impressionavam quando era jovem.
Ainda assim, ele acredita que a busca pela técnica acabou se tornando um fim em si mesma.
Segundo o músico, existe uma geração de instrumentistas extremamente talentosos que impressionam pela velocidade, precisão e domínio teórico, mas que frequentemente deixam de lado elementos fundamentais da música, como composição, estrutura e identidade artística.
Você tem músicos talentosos executando coisas muito mais complexas do que as que existiam quando eu estava crescendo, mas isso foi completamente desprovido do valor artístico e criativo”
Richie Kotzen
Kotzen ressaltou que aprecia ouvir improvisadores capazes de navegar por harmonias sofisticadas com enorme fluidez. No entanto, para ele, isso não substitui a importância de criar músicas memoráveis.
Redes sociais mudaram a forma de enxergar a guitarra
Embora não tenha criticado diretamente plataformas como Instagram, TikTok ou YouTube, as declarações de Kotzen refletem uma discussão cada vez mais comum entre músicos profissionais.
Os algoritmos dessas plataformas frequentemente favorecem vídeos curtos com demonstrações técnicas impressionantes, o que pode incentivar a valorização da execução acima da composição.
Para o guitarrista, essa mudança ajudou a criar um cenário em que a excelência técnica está mais acessível e visível do que nunca, mas nem sempre acompanhada da mesma preocupação artística que marcou gerações anteriores.
“Considero isso muito triste. Não sei exatamente qual palavra usar, mas eu não gosto disso”, concluiu.
Debate antigo segue atual
A reflexão de Kotzen reacende um debate que acompanha a guitarra há décadas: o equilíbrio entre técnica e musicalidade.
Enquanto a nova geração continua expandindo os limites da execução instrumental, músicos veteranos frequentemente defendem que a verdadeira relevância de um guitarrista está na capacidade de criar músicas que permaneçam na memória do público.
As declarações do guitarrista mostram que, mesmo em uma era marcada por avanços técnicos sem precedentes, a discussão sobre criatividade, identidade e composição continua tão viva quanto sempre esteve.




