O guitarrista Joe Perry, do Aerosmith, nunca seguiu uma única receita quando o assunto é timbre. Em vez de se prender a marcas ou modelos específicos, ele construiu sua identidade explorando diferentes amplificadores ao longo das décadas.
Segundo Perry, essa abertura foi essencial para encontrar sons únicos. Ele afirma que alguns dos equipamentos mais incomuns que utilizou acabaram sendo fundamentais em suas gravações favoritas.
A filosofia é simples: testar tudo o que for possível. Para o guitarrista, limitar escolhas pode significar perder oportunidades criativas importantes dentro do estúdio ou no palco.
Anos 1970: busca por identidade levou além dos Marshall
Durante o início da carreira, Perry optou por fugir do padrão dominante da época. Enquanto muitos guitarristas usavam combinações clássicas com Marshall, ele apostou em alternativas como amplificadores da Ampeg.
No primeiro álbum da banda, lançado em 1973, o guitarrista utilizou um Ampeg V4. A escolha ajudou a criar uma sonoridade distinta em meio ao cenário da época.
Mesmo assim, os Marshall também faziam parte do arsenal. Ao longo da década, o músico passou a utilizar equipamentos da Music Man, empresa fundada por Leo Fender após sua saída da Fender.
Esses amplificadores se tornaram presença constante nas turnês do fim dos anos 70. Perry destaca o volume e a potência como características marcantes, além de customizações visuais que refletiam a identidade da banda.
Anos 1980: Marshall domina, mas experimentação continua
Na década seguinte, os amplificadores da Marshall ganharam protagonismo. Modelos clássicos como Plexi e Super Lead passaram a ser usados com frequência, especialmente em estúdio.
O crescimento do público e dos palcos trouxe novos desafios. Perry precisava equilibrar volume, definição e presença, sem comprometer a audição dos vocais.
Mesmo com a predominância dos Marshall no hard rock, ele continuou testando novos equipamentos. Amplificadores da Fender também eram utilizados, principalmente em gravações.
Essa fase reforça uma característica constante em sua carreira: a curiosidade sonora. Sempre que surgia um novo equipamento, Perry fazia questão de experimentar.
Anos 1990: testes com transistores e retorno aos clássicos
Nos anos 90, o guitarrista expandiu ainda mais sua busca por timbres. Ele testou amplificadores transistorizados, mas nem todos os resultados foram satisfatórios.
Segundo Perry, alguns modelos perdiam qualidade sonora em volumes mais altos. Mesmo assim, ele manteve esses equipamentos por perto, acreditando que poderiam ser úteis em contextos específicos.
Durante as gravações, o músico levava diversas opções para o estúdio. A ideia era simples: experimentar até encontrar o som ideal para cada faixa.
Apesar das tentativas, os amplificadores valvulados continuaram sendo sua principal escolha. Modelos da Fender e Marshall permaneciam como base para capturar o timbre desejado.
Anos 2000 em diante: amplificadores boutique e novas possibilidades
Com o avanço da tecnologia, o guitarrista passou a explorar amplificadores boutique. Entre os destaques está a Alessandro, conhecida por sua construção refinada e resposta sonora detalhada.
Perry ressalta que esses equipamentos oferecem novas sensações e possibilidades criativas. A diversidade de timbres disponíveis se tornou um estímulo constante para sua evolução musical.
Mesmo com tantas opções, ele continua retornando aos clássicos. Amplificadores vintage da Fender, como Vibroverb e Twin, além de modelos Marshall como o JCM800, seguem presentes em seu setup.
Entre o analógico e o digital: tradição ainda fala mais alto
Ao comentar sobre modelagem digital, Perry reconhece as vantagens práticas. Ele destaca a variedade de sons e a facilidade de transporte como pontos positivos.
No entanto, sua preferência ainda recai sobre amplificadores valvulados. Para ele, a resposta e a dinâmica desses equipamentos continuam sendo difíceis de substituir.
Ainda assim, o guitarrista não descarta totalmente o digital. Em situações específicas, ele admite que poderia utilizar esse tipo de tecnologia.
Equipamentos improváveis também moldaram gravações recentes
Um dos exemplos mais curiosos envolve o uso de um amplificador compacto da Orange. O modelo, pequeno e pouco convencional, acabou sendo utilizado em diversas gravações recentes.
Perry combinou o equipamento com diferentes caixas e contextos de estúdio. O resultado foi tão satisfatório que ele o utilizou em todas as faixas de um projeto recente do Aerosmith.
A experiência reforça sua principal convicção: não existe equipamento “certo” ou “errado”. O importante é o som final.
Filosofia sonora explica trajetória versátil do guitarrista
Ao longo de sua carreira, Joe Perry construiu um legado baseado na experimentação. Sua abordagem mostra que o timbre não depende apenas de equipamentos consagrados.
Para o guitarrista, seguir o ouvido é mais importante do que seguir tendências. Essa liberdade criativa ajudou a moldar o som do Aerosmith em diferentes fases.
No fim das contas, sua mensagem é clara: bons resultados podem surgir dos lugares mais inesperados — basta estar disposto a explorar.





