Peter Frampton voltou a falar abertamente sobre os desafios físicos que vêm transformando sua relação com a guitarra nos últimos anos. Em entrevista recente, o músico revelou como tem adaptado sua técnica para continuar gravando, compondo e tocando mesmo diante da progressão da miosite por corpos de inclusão (IBM), doença degenerativa que afeta sua mobilidade e coordenação muscular.
O ponto mais simbólico da conversa surgiu quando Frampton citou Django Reinhardt como inspiração para continuar encontrando soluções dentro do instrumento.
“Django só tinha dois dedos, Pete. Vamos lá!”, afirmou o guitarrista ao descrever o diálogo interno que mantém consigo mesmo durante as sessões de prática e gravação.
A fala resume bem o momento atual de Frampton: menos preocupado em recuperar antigas capacidades e mais interessado em descobrir novas maneiras de continuar criando música.
Cordas mais finas e redistribuição dos dedos fazem parte da adaptação
Segundo Frampton, uma das principais mudanças práticas aconteceu na escolha do encordoamento.
O músico revelou que passou a utilizar cordas mais leves para reduzir o esforço necessário na execução, além de reorganizar constantemente a forma como distribui os dedos durante frases e transições mais complexas.
“É a pressão que influencia, e obviamente a velocidade de transição entre as notas”, explicou.
Ele também afirmou que muitas decisões técnicas agora acontecem em tempo real, enquanto toca, adaptando digitações de acordo com as limitações impostas pela doença.
Mesmo assim, Frampton deixou claro que tenta manter a mentalidade intacta durante a performance.
“Eu tento tocar como se não tivesse problema nenhum”, declarou.
Novo álbum marca retorno autoral após 16 anos
As declarações chegam durante a divulgação de Carry the Light, novo álbum de estúdio de Frampton e seu primeiro trabalho totalmente autoral em 16 anos.
O disco reúne participações especiais de nomes como Tom Morello, Sheryl Crow, Graham Nash e Bill Evans.
Segundo o guitarrista, a guitarra continua sendo o centro absoluto de seu processo criativo, mesmo diante das limitações físicas.
Frampton revelou que ainda grava ideias espontaneamente no celular antes mesmo de racionalizar melodias ou solos, tentando preservar o aspecto intuitivo da criação musical.
“Às vezes a primeira coisa que você toca é sem pensar em nada. E geralmente essa acaba sendo a melhor”, comentou.
Phenix, SGs históricas e referências ao jazz seguem presentes no estúdio
Boa parte de Carry the Light foi registrada utilizando a famosa Phenix, a histórica Gibson Les Paul Custom 1954 Phenix recuperada décadas após sobreviver a um acidente aéreo em 1980.
O guitarrista também utilizou guitarras inspiradas no universo de Django Reinhardt, além de SGs vintage da Gibson que fazem parte de sua coleção pessoal desde os tempos de Humble Pie.
Mesmo com a redução gradual da mobilidade, Frampton segue ativo em estúdio e já revelou possuir novas ideias em desenvolvimento para futuros lançamentos.



