O guitarrista Marty Friedman afirmou que as plataformas digitais têm papel fundamental na manutenção e ampliação da cultura da guitarra atualmente. A declaração foi feita durante entrevista recente concedida ao músico Tobias Le Compte. Segundo Friedman, os algoritmos das redes sociais exercem hoje uma influência na descoberta musical superior à que o rádio teve no passado.
“A popularidade como instrumento sobe e desce”, explicou Friedman. “Mas a coisa ótima sobre agora é que as redes sociais são um grande suporte para a guitarra.”
Conforme reportado pelo Guitar.com, o guitarrista destacou que um único clipe de 30 segundos pode transformar carreiras, revitalizar músicas esquecidas ou até mesmo causar escassez de pedais de guitarra boutique rapidamente. Para exemplificar o alcance das plataformas, Friedman mencionou sua própria experiência recente.
“Agora mesmo, fiz duas coisas que, sem as redes sociais, ninguém saberia o que são. Mas fiz uma ótima colaboração com Ichika Nito, e está por toda parte nas redes sociais agora.”
Impacto nas novas gerações
Friedman acredita que a visibilidade do instrumento nas plataformas digitais tem atraído novos interessados. “E isso faz com que pessoas que ficam assistindo à internet o dia todo toquem guitarra, entende o que quero dizer. E se não houvesse interesse na guitarra por parte dessas pessoas, elas estariam jogando ou fazendo outras coisas”, afirmou.
O músico demonstrou otimismo sobre como as redes sociais têm contribuído para despertar o interesse pelo instrumento. “É maravilhoso ver essas pessoas sentirem a diversão de tocar guitarra e obterem satisfação. Tenho certeza de que é divertido jogar videogames também, mas é maravilhoso tocar um instrumento com as mãos e não apenas um computador. E assim, graças às redes sociais, há muito entusiasmo na guitarra”, declarou Friedman.
A entrevista não apresentou dados quantitativos sobre o alcance das redes sociais na promoção da guitarra, mas Friedman enfatizou o impacto qualitativo dessas plataformas na divulgação de conteúdo relacionado ao instrumento. Abaixo, você confere a íntegra da entrevista:
Opiniões opostas
Contudo, nem todos os músicos compartilham da visão positiva de Friedman. Joe Bonamassa expressou preocupações sobre a pressão para manter presença constante nas redes sociais e como isso pode afetar a criatividade.
“Por quanto tempo você pode se manter inspirado fazendo vídeos de um minuto depende do indivíduo. E eu percebo que se eu sentir a necessidade de me manter relevante porque não postei algo há um minuto e simplesmente penso: ‘Não toquei guitarra hoje, mas deixe-me afinar essa Les Paul e fazer um vídeo de um minuto’.”
Bonamassa também admitiu: “Já fui culpado disso no passado, quando aquele minuto que levei para filmar algo em uma tomada e apenas jogar no Instagram foi o único minuto de música que fiz durante todo o dia. E isso não é para mim. Isso está cruzando uma linha onde sua inspiração é a dopamina que você vai receber nas seções de comentários das suas redes sociais. Então, para mim pessoalmente, esse não é o estilo de vida que quero viver.”



