The Edge acredita que o U2 tem uma identidade musical difícil de imitar justamente porque a banda nunca seguiu uma fórmula de composição. Em entrevista a Zane Lowe, da Apple Music, o guitarrista contou que tentou utilizar ferramentas de inteligência artificial para criar uma música com características do grupo, mas não obteve o resultado esperado.
“Estava tentando ver se conseguiam compor uma música do U2. Não conseguiram”, relatou. Segundo ele, a experiência também evidenciou como alguns gêneros são mais facilmente reproduzidos por essas ferramentas.
“É possível fazê-las compor uma música country, porque esse gênero é muito bem definido”, comparou. Para The Edge, o U2 não se encaixa em uma categoria musical específica, o que dificulta a criação de uma composição que reproduza sua identidade sonora por meio de sistemas de inteligência artificial.
O guitarrista reconheceu que seu próprio instrumento talvez seja o elemento mais facilmente identificável do som da banda. Ainda assim, considera que a guitarra não representa toda a identidade musical do grupo.
“Nossa composição nunca segue uma fórmula. Não sabemos como fazer isso”, afirmou.
The Edge explica o processo criativo do U2
Durante a conversa, Zane Lowe citou “Greatest Show on Earth”, faixa do novo álbum, como exemplo de uma composição que dificilmente seria criada por inteligência artificial. The Edge aproveitou para explicar como a banda costuma desenvolver suas músicas.
“Nossa abordagem é encontrar algo intrigante, inspirador, e simplesmente deixar que isso dite para onde vamos”, disse. O guitarrista acrescentou que o processo frequentemente leva o grupo a caminhos inesperados, combinando decisões conscientes com uma dose de imprevisibilidade.
A entrevista aconteceu na antiga escola dos integrantes, Mount Temple, em Dublin, e também abordou a recuperação do baterista Larry Mullen Jr., a residência do U2 na Sphere e o próximo disco.
Novo álbum traz colaboração com Dolly Parton
Intitulado Carnaval De Luz, o álbum marca o primeiro lançamento de estúdio do U2 em nove anos. Entre as participações está Dolly Parton, que colaborou com a banda na faixa “Torn”.
De acordo com Bono, a música partiu de uma ideia apresentada pela própria cantora. Parton entregou uma composição ainda em estágio inicial e convidou o grupo a desenvolver outro caminho para ela.
“Ela era bem tradicional, e nós realmente a levamos para um outro patamar”, contou o vocalista.
Bono também revelou que Dolly Parton estava doente durante o período da gravação, embora a banda não soubesse da gravidade de sua condição naquele momento. Mesmo assim, a cantora saiu da cama para registrar sua participação, gesto que o músico descreveu como especialmente significativo para o grupo.






