A popularização da inteligência artificial no universo da guitarra acaba de ganhar um novo capítulo, desta vez envolvendo plágio, desinformação e preocupações com o futuro da produção de conteúdo no YouTube. O guitarrista e criador de conteúdo Rhett Shull revelou ter encontrado um canal totalmente gerado por IA que reproduz elementos de seus vídeos e utiliza seu trabalho como base para criar novos conteúdos.
Segundo Shull, a descoberta aconteceu após ser marcado em uma publicação do podcast The Bad Guitarist, que chamava atenção para um canal criado recentemente e que já havia ultrapassado 5 mil inscritos e 600 mil visualizações.
Ao acessar o perfil, chamado Guitar Gems with Chase, o músico afirma ter ficado impressionado com o nível de semelhança.
“Cliquei nesse canal ontem à noite e, sinceramente, fiquei meio assustado.”
De acordo com Shull, o personagem virtual reproduz cenários antigos utilizados em seu canal, roupas semelhantes e até equipamentos que apareciam em vídeos publicados antes de 2021.
Conteúdo gerado por IA reproduz identidade visual e equipamentos do criador
Embora o personagem digital não utilize diretamente a imagem de Rhett Shull, o criador afirma que diversos elementos de sua identidade visual foram replicados.
Ele aponta que o cenário utilizado nos vídeos lembra exatamente o estúdio que manteve entre 2018 e 2021. Além disso, a inteligência artificial reproduz uma jaqueta frequentemente usada por ele naquela época e apresenta equipamentos praticamente idênticos aos exibidos em seus vídeos.
Para Shull, não há dúvidas de que seus conteúdos foram utilizados para treinar modelos de IA.
Em tom bem-humorado, o guitarrista comentou:
“Gostaria de ser tão bonito quanto esse cara.”
Apesar da brincadeira, ele considera o caso um exemplo preocupante do uso não autorizado de material produzido por criadores humanos.
Vídeos também espalham informações falsas sobre fabricantes de guitarras
Segundo Shull, o problema vai além da cópia estética. Os vídeos publicados pelo canal também fazem afirmações falsas sobre fabricantes tradicionais de guitarras, alegando, por exemplo, que marcas como Gibson, Fender e PRS utilizariam exatamente os mesmos processos de fabricação e apenas alterariam o país de origem dos instrumentos.
O guitarrista afirma que essas informações são objetivamente incorretas.
Segundo ele, caso um criador humano publicasse esse tipo de conteúdo, poderia responder judicialmente por difamação ou calúnia.
Já conteúdos produzidos por inteligência artificial acabam ocupando uma área cinzenta da legislação, especialmente nos Estados Unidos, onde ainda não existe uma regulamentação federal unificada para esse tipo de tecnologia.
Outro ponto levantado pelo músico é que o canal aparentemente está monetizado pelo YouTube, além de comercializar cursos e guias de compra de equipamentos que, segundo ele, também parecem ter sido produzidos por IA.
Falta de regulamentação amplia preocupação entre criadores
O caso reacende o debate sobre os limites da inteligência artificial na criação de conteúdo para plataformas digitais.
Embora o YouTube exija que criadores identifiquem conteúdos sintéticos e permita solicitar a remoção de vídeos que utilizem rostos ou vozes de pessoas identificáveis sem autorização, a plataforma não desmonetiza automaticamente materiais gerados por IA.
Nos Estados Unidos, decisões recentes reforçam que obras protegidas por direitos autorais precisam ter autoria humana. Ainda assim, especialistas apontam que a regulamentação sobre inteligência artificial permanece fragmentada, sendo composta por decisões judiciais, ordens executivas e legislações estaduais.
Para Rhett Shull, esse cenário gera insegurança para quem vive da produção de conteúdo.
“É uma droga. O fato de isso ser permitido no YouTube realmente não inspira muita confiança no futuro da plataforma.”
O episódio evidencia um novo desafio para criadores de conteúdo ligados ao universo da guitarra, que agora precisam lidar não apenas com cópias tradicionais, mas também com canais inteiros produzidos por inteligência artificial capazes de reproduzir estilos, cenários e discursos de influenciadores reais.
Abaixo, você confere o vídeo do canal do podcast The Bad Guitarist supracitado:





