Richie Kotzen segurando uma Fender Telecaster

Em recente entrevista, Richie Kotzen falou sobre sua opção em tocar guitarra com os dedos. Para o músico, essa atitude trouxe liberdade ao seu modo de se expressar no instrumento.

“Tocar apenas com os dedos me fez um guitarrista muito melhor no sentido de que me forçou a pensar de forma diferente. Usando palheta, eu caía em armadilhas. Sei a diferença entre sentir a música, deixar ela vir através de mim instintivamente, e o contrário. Há exemplos online de shows ao vivo em que isso aconteceu comigo. Como artista, você quer esse sentimento toda vez!”, diz à equipe da Music Radar.

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Desafiando a si mesmo

“No entanto, por qualquer motivo, em uma turnê em particular, me senti realmente preso. Como se eu estivesse apenas fazendo movimentos… Então eu sabia que tinha de fazer algo para sair disso. A única coisa que eu poderia conceber era não usar uma palheta, o que não foi um grande esforço, porque muitas vezes eu tocava coisas com apenas minhas mãos”, conta Kotzen.

“Imediatamente, isso eliminou toda as escalas baseadas em sweep picking, por exemplo… Muitas coisas de repente ficaram fora do meu repertório, mas eu ainda tinha de tocar! Isso me abrandou, e ainda me senti mais conectado com o instrumento, o que me deixou animado. Então tive de reaprender todas as coisas que eu não poderia fazer, como os shapes de arpejos com sweep. Eu tinha de trabalhar em todo o meu modo de tocar”.

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Pensar em escalas não é o caminho

O guitarrista também comentou o uso de escalas e como elas afetam seu fluxo musical.

“Para ser honesto, nunca penso em termos de escalas. Costumo relacionar mais a blocos de pentatônicas. Digamos que, se eu ficasse repentinamente preso, pensaria nesses blocos para me salvar. Ou seja, se eu me sentisse com problemas, em um limbo, eu levaria tudo de volta ao blues. Nunca olho para o braço da guitarra pensando em modos gregos ou algo assim… Tocar guitarra é mais sobre saber que a nota certa é apenas meio passo para cima ou para baixo”, explica.

“Sei que, se eu tocar em certos lugares por muito tempo em certos acordes, pode ir do ‘interessante’ para o ‘errado’. Não sei o significado técnico para tudo isso, como ciclo de quintas ou tríades… 90% do que faço é porque ouço na minha cabeça. Ouço as coisas e quero trazê-las à vida, esse é o verdadeiro significado para mim. Se uso um double stop ou uma nota cromática, é quase um efeito posterior. As pessoas ficam muito envolvidas nisso”, finaliza o guitarrista.