Há mais de seis décadas, a Red Special é praticamente uma extensão de Brian May. Construída ao lado de seu pai no início dos anos 1960, ela ajudou a definir o timbre do Queen e se tornou uma das guitarras mais reconhecíveis da história do rock. Mas uma pergunta recente imaginou um universo paralelo: e se essa guitarra nunca tivesse existido?
A resposta surpreende justamente por não apontar uma Fender ou uma Gibson como substitutas naturais.
Em entrevista à Planet Rock, May explicou que sempre admirou instrumentos de ambas as fabricantes, mas nunca encontrou neles exatamente o equilíbrio sonoro que procurava. “Sempre achei as Fenders muito finas e estridentes para o som que eu estava tentando obter”, afirmou. Sobre as Gibson, foi igualmente direto: “Puxavam um pouco demais para o outro lado, um pouco escuras demais.”
Entre o brilho da Fender e o peso da Gibson
Segundo May, a personalidade da Red Special nasceu justamente dessa busca por um ponto de equilíbrio. O guitarrista explica que sua guitarra oferece uma faixa tonal muito ampla graças à combinação de captadores ligados em série, além das opções de fase e fora de fase desenvolvidas durante o projeto.
“Minha guitarra fica em algum lugar no meio”, resume o músico, acrescentando que só consegue reproduzir seu som característico com o instrumento que construiu ao lado do pai.
A declaração ganha peso porque May conhece bem os dois universos. Ao longo da carreira, ele utilizou uma Telecaster de 1978 nas gravações de Crazy Little Thing Called Love, além de possuir uma Esquire de 1967 e recorrer ocasionalmente a Stratocasters e Les Pauls como guitarras reserva nos primeiros anos do Queen.
A Red Special continua sendo insubstituível
Apesar de já ter tocado com modelos clássicos de Fender e Gibson, May reforça que essas guitarras jamais ocuparam o lugar da Red Special em seu setup principal. Segundo ele, elas funcionavam como reservas em uma época em que ainda não existiam réplicas confiáveis de seu instrumento.
A história da Red Special também ajuda a explicar essa ligação. O braço da guitarra foi esculpido a partir de uma antiga peça de madeira de uma lareira, guardada pelo pai de May para um eventual reaproveitamento. Décadas depois, o guitarrista afirma que ainda conserva o restante desse material.
Curiosamente, a relação de Brian May com a Gibson atravessa um novo capítulo. Nos últimos anos, o músico firmou uma parceria com a fabricante, que trabalha em recriações da Red Special por meio da Murphy Lab, além de já ter lançado um violão de 12 cordas assinado pelo guitarrista.
Para May, porém, nenhuma dessas colaborações muda um fato essencial: o timbre que marcou gerações nasceu de um projeto doméstico construído muito antes de qualquer grande fabricante entrar em cena.





