James Ivanyi decidiu retirar um dos controles mais tradicionais de uma guitarra elétrica ao desenvolver sua Suhr Signature. O instrumento não possui potenciômetro de tonalidade.
Para o guitarrista australiano, a escolha foi consequência de uma abordagem minimalista sobre timbres e equipamentos. Segundo Ivanyi, ele raramente encontrou uma situação em que precisasse recorrer ao controle.
“Nunca me vi em uma situação que exigisse o uso do potenciômetro de tonalidade”, explicou.
A decisão também está relacionada à maneira como o músico constrói seus sons. Em vez de alterar constantemente diferentes parâmetros, ele prefere encontrar uma sonoridade de base e trabalhar variações de ganho e dinâmica principalmente pelo volume da guitarra e pelos recursos do equipamento utilizado.
“Sou cuidadoso com o brilho”, afirmou Ivanyi. “Uma vez que encontro o som ideal, geralmente não me desvio dele.”
Uma guitarra moderna com inspiração vintage
A abordagem de Ivanyi não se limita à eletrônica. Embora seja conhecido por tocar metal progressivo técnico, o guitarrista optou por características que fogem de algumas convenções do gênero em sua guitarra signature.
O instrumento possui corpo de mogno, braço com perfil mais arredondado e elementos estéticos envelhecidos. A proposta combina características modernas com referências visuais e ergonômicas de instrumentos vintage.
A relação de Ivanyi com guitarras antigas começou ainda durante seus anos de formação. Ele trabalhou em lojas especializadas em instrumentos vintage e desenvolveu uma admiração pela aparência e pela tocabilidade desses modelos.
Para o músico, o braço ocupa posição central nessa relação.
“É o ponto de contato mais importante com o instrumento. É a parte que você realmente toca”, explicou.
Por isso, um dos objetivos durante o desenvolvimento da Suhr Signature foi chegar a um perfil que fosse familiar e confortável, sem abandonar a proposta contemporânea do instrumento.
O resultado procura equilibrar passado e presente. A guitarra combina construção moderna com detalhes envelhecidos, refletindo a crescente presença de equipamentos vintage no setup de Ivanyi.
Por que ele ainda prefere amplificadores valvulados?
A preferência de Ivanyi por equipamentos valvulados não significa rejeição à tecnologia digital.
O guitarrista já trabalhou com os dois formatos em estúdio e ao vivo. Para ele, modeladores e plugins conseguem entregar resultados que não ficam necessariamente atrás dos equipamentos analógicos.
A diferença está principalmente na experiência proporcionada por cada tecnologia.
Tocar usando um modelador ou clicar em presets em um VST é uma experiência muito diferente de conectar um instrumento a um amplificador valvulado”
James Ivanyi
O ponto central, segundo Ivanyi, é a inspiração. Equipamentos analógicos oferecem limitações que podem ser criativamente úteis.
Um amplificador tradicional não apresenta dezenas de presets esperando por uma escolha. Há um conjunto limitado de controles e uma sonoridade que exige interação direta do músico.
“Isso te força a se adaptar ao que ele espera de você, e não o contrário”, observou.
Para o guitarrista, essa característica pode ser mais estimulante do que a abundância de possibilidades encontrada em setups digitais.
Ivanyi defende a influência das madeiras
O guitarrista também entrou em um dos debates mais antigos entre músicos: a influência das madeiras no comportamento de uma guitarra elétrica.
Ivanyi concorda com a percepção de que duas peças da mesma espécie de madeira podem produzir resultados diferentes. Ele, porém, ressalta que não conhece uma explicação científica definitiva para todas essas diferenças.
Sua própria experiência serve como referência. O músico compara sua guitarra signature mais leve, construída em amieiro, com uma versão mais pesada feita de mogno e bordo. Segundo ele, os dois instrumentos apresentam diferenças perceptíveis tanto na sensação ao tocar quanto no resultado sonoro.
“A madeira do corpo do instrumento influencia diretamente a sensação e a ressonância, alterando a experiência”, afirmou.
Para Ivanyi, essa relação acaba interferindo também na maneira como o guitarrista toca. A discussão sobre madeiras, portanto, aparece em sua abordagem como uma questão que vai além da busca por uma determinada frequência ou característica tonal. Peso, ressonância, resposta física e sensação fazem parte da equação.





