Poucos professores de guitarra exerceram tanta influência sobre uma geração de músicos quanto Tomo Fujita. Docente do Berklee College of Music há mais de três décadas e mentor de nomes como John Mayer, Eric Krasno e Adam Smirnoff, o guitarrista acredita que muitos instrumentistas caem em uma armadilha silenciosa: a obsessão por alcançar o próximo nível.
Em entrevista ao criador de conteúdo Zakk Kuhn, Fujita afirmou que o desejo constante de evoluir pode se transformar em um problema quando passa a gerar ansiedade e frustração.
“Independentemente da sua área, você quer se destacar. Você quer melhorar. Você quer chegar ao próximo nível. Mas você pode exagerar nisso; estar sempre buscando o próximo nível ou tentando provar alguma coisa.”
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Segundo o professor, essa mentalidade já fez parte de sua própria trajetória.
“Eu me esforçava tanto, aí via outra pessoa e ficava decepcionado ou com inveja porque ela estava se saindo muito bem. É natural. Somos humanos.”
O conselho que ajudou a moldar o play de John Mayer
Fujita relembrou indiretamente um dos episódios mais conhecidos de sua relação com John Mayer. Quando o guitarrista ainda estudava no Berklee, o professor o incentivou a deixar temporariamente a faculdade para dedicar sua energia à composição e ao desenvolvimento de uma identidade artística.
A ideia era simples: mais importante do que acumular técnica era aprender a comunicar algo por meio da música.
Anos depois, Mayer se tornaria um dos guitarristas mais influentes de sua geração, e Fujita continua usando esse episódio como exemplo de que evolução musical vai muito além da velocidade ou da complexidade técnica.
Comparação constante atrapalha o aprendizado
Outro ponto destacado por Fujita foi o impacto das redes sociais na percepção que os músicos têm de si mesmos. Para ele, comparar o próprio progresso com o de outros guitarristas quase sempre produz o efeito contrário ao desejado.
“Não se compare aos outros. Você pode aprender observando outras pessoas, mas não precisa se depreciar.”
O professor também defende que o desenvolvimento na guitarra deve seguir o mesmo princípio de uma vida saudável: equilíbrio.
“Assim como você precisa se alimentar bem, se exercitar e dormir bem para ter saúde, também precisa cuidar da sua saúde mental. Aprendi a não esperar resultados grandes em tão pouco tempo.”
Melhor do que ontem, não melhor do que todo mundo
Mesmo sendo reconhecido mundialmente como um dos grandes educadores da guitarra, Fujita diz que nunca buscou ser considerado o melhor instrumentista.
“Até hoje, não me considero um guitarrista incrível. Sempre tenho algo a melhorar. Mas fico satisfeito enquanto estiver um pouco acima da média, não no topo. Se eu tentar chegar ao topo, ficarei decepcionado.”
Para ele, a evolução verdadeira acontece quando o foco deixa de ser superar outros músicos e passa a ser construir uma relação mais saudável com o instrumento, respeitando o próprio tempo e encontrando uma identidade musical genuína.





