Durante décadas, guitarristas debatem se cordas mais grossas produzem um timbre superior. Para John Mayer, porém, essa discussão costuma desviar a atenção do que realmente faz diferença na hora de tocar.
Em uma entrevista que voltou a repercutir entre músicos após o lançamento de seu jogo de cordas signature Silver Slinky, o guitarrista afirmou que escolher um calibre mais pesado faz pouco sentido se isso comprometer a execução dos bends e a expressividade da performance.
Na visão de Mayer, a tocabilidade deve vir antes de qualquer busca por um suposto timbre ideal.
Mayer questiona obsessão pelo calibre das cordas
Ao comentar um dos debates mais recorrentes entre guitarristas, Mayer foi direto ao ponto. Segundo ele, discutir incessantemente a espessura das cordas é uma das conversas menos produtivas que existem no universo da guitarra.
O músico reconhece que calibres mais grossos podem oferecer diferenças sonoras, mas acredita que isso perde importância quando o instrumentista deixa de executar técnicas essenciais com naturalidade.
Para Mayer, pouco adianta buscar um timbre mais encorpado se o guitarrista não consegue realizar bends com conforto e precisão.
Stevie Ray Vaughan é frequentemente mal interpretado
Durante a conversa, Mayer também citou Stevie Ray Vaughan como exemplo de um dos músicos mais incompreendidos quando o assunto é timbre.
O texano ficou conhecido por utilizar cordas extremamente pesadas, chegando a montar jogos personalizados com calibres entre .013 e .058 afinados em Mi bemol.
Segundo Mayer, muitos guitarristas passaram a acreditar que esse era o principal segredo do som de Vaughan. Na prática, ele discorda dessa interpretação.
Para o guitarrista, grande parte da personalidade sonora de Stevie Ray Vaughan vinha da força aplicada pelas mãos, da dinâmica da palhetada e da forma como explorava o amplificador, e não apenas do calibre das cordas.
O timbre está muito além das cordas
Mayer também chamou atenção para outro equívoco comum envolvendo o equipamento de Vaughan. Segundo ele, muita gente tenta reproduzir músicas como “Texas Flood” aumentando excessivamente o ganho do amplificador ou do pedal de overdrive.
Na avaliação do músico, essa abordagem ignora um aspecto fundamental do estilo de Stevie Ray Vaughan: a maior parte da saturação vinha da intensidade com que ele atacava as cordas e do volume elevado do amplificador, utilizando o pedal apenas como reforço.
Em outras palavras, técnica, dinâmica e pegada tinham um papel muito mais importante do que o equipamento isoladamente.
O calibre escolhido por John Mayer
Embora critique a obsessão em torno das bitolas, Mayer também encontrou um ponto de equilíbrio para seu próprio setup.
Seu jogo de cordas signature desenvolvido em parceria com a Ernie Ball utiliza calibres 10.5-47, posicionando-se entre os tradicionais jogos .010 e .011.
Segundo o guitarrista, essa configuração oferece resistência suficiente para entregar um timbre consistente sem sacrificar a fluidez necessária para executar bends amplos e com sensação mais próxima da voz humana.
A escolha reforça a filosofia defendida por Mayer: o melhor calibre não é necessariamente o mais grosso, mas aquele que permite ao músico tocar com conforto, controle e expressividade.





