Toda geração tem uma verdade que ninguém questiona.
A dos guitarristas dos anos 1980 e 1990 cresceu entendendo que Randy Rhoads e Ozzy Osbourne eram almas gêmeas artísticas: um encontro perfeito entre o Príncipe das Trevas e o jovem virtuose que mudou para sempre a guitarra do heavy metal. Inclusive este que vos escreve.
Mas eis que surge um ex-funcionário de Ozzy disposto a bagunçar essa memória coletiva.
O “ex-funcionário” em questão atende pelo nome de Bob Daisley. Baixista, coautor de Blizzard of Ozz e Diary of a Madman e, por coincidência, colega de Randy na formação clássica da banda, Daisley revelou em entrevista recente que Rhoads já planejava abandonar o grupo muito antes do acidente aéreo que interrompeu sua carreira em 1982.
“Randy queria sair da banda de Ozzy”
Questionado sobre um rumor antigo, Daisley não deixou margem para interpretações.
“Com certeza. Ele queria sair. Queria ir estudar na Europa e fazer mestrado”, afirmou.
Segundo o baixista, Randy não pretendia abandonar o rock para sempre. A ideia era mergulhar na música clássica, concluir seus estudos e, provavelmente, seguir carreira com um projeto próprio.
“Acho que ele teria lançado seu próprio álbum. Talvez existisse uma Randy Rhoads Band. Mas ele não queria ficar onde estava.”
O clássico sempre falou mais alto
A declaração não surge do nada. O fascínio de Randy pela música erudita era conhecido por todos ao seu redor.
Enquanto a banda viajava pelos Estados Unidos, o guitarrista costumava procurar professores locais para ter aulas de violão clássico nas folgas da turnê. Ozzy chegou a comentar, anos depois, que achava curioso ver Randy carregando partituras em vez de participar das festas.
Essa obsessão ajuda a explicar por que seus solos sempre pareceram diferentes: havia Bach, Villa-Lobos e harmonia clássica escondidos entre riffs de Crazy Train e Mr. Crowley.
Uma amizade menos perfeita?
Daisley também reforçou outra tese polêmica que já havia defendido meses atrás: a de que a relação entre Ozzy e Randy foi romantizada depois da morte do guitarrista. Segundo ele, existia respeito e convivência, mas não aquela ligação exclusiva que a história acabou eternizando.
É impossível saber qual teria sido o futuro de Randy Rhoads. Talvez ele voltasse ao metal. Talvez gravasse discos instrumentais. Talvez fundasse a própria banda.
O fato é que, quarenta e quatro anos depois, um ex-integrante da equipe de Ozzy acaba de lembrar que a história mais famosa do heavy metal talvez nunca tenha sido exatamente como todos nós aprendemos.
Abaixo, você confere a entrevista completa:





