O guitarrista que hoje soma milhares de seguidores no mundo inteiro já teve profundo preconceito com as redes sociais. Em conversa no Guitarload Talks, Felipe Lhamas relembrou como foi justamente o terreno que ele mais resistia em explorar que reacendeu sua carreira, depois de um afastamento de dois anos da música.
A relação de Felipe com a guitarra começou cedo, por volta dos 11 anos, assistindo aos clipes da MTV. Fã de Guns N’ Roses por influência da mãe, ele conta que se fascinou com Slash e decidiu ali que queria tocar. Aos 17, já se apresentava em bares de Belém, sua cidade natal, onde o cenário musical, apesar de existente, oferecia poucas perspectivas.
Em busca de mais oportunidades, mudou-se para Curitiba em 2012 e passou cerca de dois anos tocando com diferentes artistas. O plano seguinte era estudar fora do Brasil, e foi esse sonho que o fez voltar para Belém. A realidade financeira, porém, inviabilizou a ideia.
“Achei que eu ia conseguir ir para lá e construir uma carreira. E aquilo me decepcionou muito”, relembra o guitarrista.
O afastamento e a síndrome do impostor
De volta à noite belenense, Felipe tocou de tudo: pop, rock e até uma turnê com orquestra de violoncelos. Mas por volta de 2016 e 2017 chegou a um platô. Sem atuação nas redes sociais e cansado da mesma rotina de gigs, começou a questionar se conseguiria viver da música de forma sustentável.
A frustração deu lugar a uma síndrome do impostor cada vez mais forte. O termo descreve a sensação persistente de não ser capaz ou competente o bastante, mesmo diante de resultados concretos. Desestimulado, Felipe decidiu se afastar. Foram dois anos longe da música, período em que vendeu boa parte do equipamento acumulado ao longo da carreira e manteve apenas algumas guitarras.
A virada nas redes sociais
O reencontro com a música veio de onde Felipe menos esperava. Incentivado pela então namorada, hoje esposa, ele decidiu enfrentar o preconceito que tinha com o conteúdo digital e começar a gravar vídeos, mesmo sem saber por onde começar.
O processo foi árduo. Ele relata as dificuldades com iluminação, ângulos e, principalmente, com a constância que a produção de conteúdo exige. Ainda assim, apostou na estratégia como forma de ganhar notoriedade e reconstruir a imagem como guitarrista, gravando o que gostava de tocar e compor.
A guinada começou a tomar forma a partir de 2021, ganhando força no ano seguinte. Foi por meio das redes sociais que Felipe encontrou um caminho para retomar a trajetória que quase abandonou, ainda que de uma maneira diferente da que imaginava no início.
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