Ele se inscreveu no último dia, sem nervosismo e sem clima de competição, convencido de que o vencedor seria “um cara mais shredder”. No fim, Heber Nunes levou o título do Guitar Pool Brasil tocando do seu jeito, num híbrido de violão brasileiro e guitarra que impressionou jurados como Edu Ardanuy, André Nieri e Sandro Haick. Agora, o guitarrista de Campo Grande conta essa e outras histórias no novo Guitarload Talks, em conversa com Guilherme Montanari.
A entrevista percorre uma trajetória que foge do roteiro comum dos guitarristas. Em vez de começar pelo rock, a história de Heber nasce dentro de casa, numa família musical do interior do Mato Grosso do Sul, e passa pela igreja metodista, pelo piano e pelo violão brasileiro antes de chegar à guitarra elétrica.
Do violão brasileiro à guitarra
Heber relembra a infância entre as rodas de música da família, o avô tocando sanfona e violão no sítio e as aulas de piano que ele detestava. O rumo mudou quando um tio mostrou ao menino um show de Yamandu Costa. A cena o marcou de tal forma que virou uma espécie de divisor de águas, o momento em que decidiu que viveria de música.
Autodidata por muitos anos, ele conta que estudava horas a fio, sem ler tablatura, tirando tudo de ouvido e de vídeo. Foi essa imersão que moldou o guitarrista híbrido que ele é hoje, alguém que resume a própria identidade sonora numa frase certeira.
“Sou muito guitarrista para um violonista e muito violonista para um guitarrista.”
Na conversa, o músico também fala da virada para a guitarra elétrica, motivada por uma frustração em estúdio quando percebeu que não sabia improvisar. A partir daí, mergulhou no universo da improvisação e do fusion, estudando nomes como Greg Howe e Guthrie Govan, e desenvolveu a técnica de hybrid picking que carrega até hoje.
Educação, estúdio e o mercado da música
Boa parte do papo trata de algo que interessa a qualquer músico profissional: como viver de guitarra. Heber divide sua rotina atual entre aulas particulares, cursos online, produção musical, gravações e trilhas, e explica por que passou a ser mais criterioso na hora de escolher com quem toca. A ideia de ter várias fontes de renda para não precisar se sujeitar a qualquer trabalho é um dos pontos altos da entrevista.
Ele ainda comenta a época em que dividiu os palcos da igreja de Campo Grande com nomes como Dudu Borges e Mateus Asato, que seguiram carreiras de destaque na música, e reflete sobre a diferença entre ter talento e saber lapidá-lo.
O Guitar Pool e o futuro
A conversa naturalmente chega ao Guitar Pool Brasil e ao que veio depois. Heber conta como encarou a competição sem pressão, o que, segundo ele, fez toda a diferença no resultado.
“Eu fui lá para me divertir, toquei, fui sem esse ar de competição, de competidor, porque hoje a gente vai ficando mais maduro.”
A premiação, um show de estreia no Blue Note, virou o empurrão que faltava para finalmente gravar seu disco instrumental, previsto para novembro. No fim, o músico fala sobre planos de futuro, entre shows, workshops e o projeto de educação que vem construindo. Um caminho que, segundo ele, sempre volta ao mesmo lugar: a busca pelo próprio som.
Dá o play no episódio completo no vídeo abaixo e confira a conversa na íntegra.




