Mark Lettieri pegou numa guitarra pela primeira vez aos 12 anos, vendo o pai tocar Beatles, Beach Boys e Byrds em casa. Hoje o guitarrista do Snarky Puppy passeia por rock, funk, jazz, soul e até metal sem parecer que está trocando de roupa. Em entrevista exclusiva ao Guitarload Talks, o guitarrista conversou com Murillo Xavier e contou como juntou tanta influência no que chama de um grande “gumbo musical”.
Sempre teve uma guitarra por perto em casa. O pai toca violão e curte o repertório dos anos 1960, e foi dele que veio o primeiro empurrão. Mark começou meio de brincadeira, tocando sozinho, até partir para as aulas: primeiro com a mãe de um amigo, depois com professores da região onde cresceu, na Califórnia. Não demorou para virar obsessão.
Das primeiras influências ao “gumbo musical”
No começo era muito Jimi Hendrix e o grunge dos anos 1990, com Stone Temple Pilots, Soundgarden e Alice in Chains no fone. O Nirvana é que nunca o pegou do mesmo jeito. Faltava blues ali para o gosto dele, embora ele faça questão de dizer que respeita o trabalho da banda.
Quando ficou mais afiado, veio o rock clássico. ZZ Top, Guns N’ Roses, Metallica, Van Halen, os heróis da guitarra dos anos 1970 e 1980. Aí, já saindo da adolescência e entrando na faculdade, começou a puxar para o R&B, o soul, o jazz e o funk. É essa bagunça toda que ele carrega na cabeça, e que acaba definindo a música que faz.
A virada para o groove veio sem plano nenhum. Depois de tanto rock, Mark diz que bateu uma vontade de outra coisa, e o gosto foi mudando conforme ele conhecia gente com cabeças musicais diferentes. Teve uma noite que ficou na memória, quando viu uns amigos mais velhos tocando Stevie Wonder num café. Aquilo mexia com a plateia de um jeito que ele não via nos shows de rock.
Por que Mark Lettieri soa groovy até no metal
Mas o rock ficou. Ele ama a agressividade, a potência, aquela pegada meio triunfante do gênero, e quer isso junto com os grooves e as harmonias mais elaboradas que vêm do jazz e do soul. Os dois mundos na mesma música, sem trancar nada numa caixa.
E essa digital aparece até quando chamam o Mark para gravar coisa mais pesada. Volta e meia ele entra como convidado em faixas de metal e metal progressivo, e é o primeiro a admitir: sai sempre mais groovy do que era para sair. Continua sendo ele ali.
Reconhecível ou não, ele prefere não cravar. Diz que depende do ouvido do público para saber se tem uma marca própria, e que não se acha um daqueles guitarristas que a gente identifica em três notas. Para o Mark, é essa mistura de influências que desenha o jeito dele tocar.
Assista à entrevista completa de Mark Lettieri ao Guitar Talks:




