Você já se perguntou como é a vida de quem vive a guitarra nos bastidores das grandes gigs? Na edição nº 153 da Revista Guitarload, Filipe Coimbra dá seu testemunho sobre esse universo. Ele também fala sobre técnica, improviso, equipamentos e muito mais.
Com passagens por trabalhos com diferentes artistas, além de experiências no Rock in Rio, no Grammy Latino e no Tiny Desk Concert de Milton Nascimento, Coimbra construiu uma trajetória que vai muito além dos solos.
Na entrevista, o guitarrista conta como começou na música, relembra a primeira guitarra e explica como o fato de ser canhoto, mas ter aprendido a tocar como destro, acabou influenciando diretamente sua técnica e seu fraseado.
Da primeira guitarra ao Tiny Desk
A história de Filipe começa em Niterói, quando ele teve contato com a guitarra por influência de um primo que tocava em bandas locais.
A primeira guitarra veio depois, uma Memphis de aproximadamente R$ 500, comprada pelo pai e parcelada em 12 vezes. O instrumento continua com o guitarrista até hoje, embora tenha passado por uma transformação pouco convencional e se tornado uma fretless.
Foi justamente com ela que Coimbra tocou no Tiny Desk Concert de Milton Nascimento, um dos momentos marcantes de sua carreira.
Antes de viver profissionalmente da música, porém, o guitarrista chegou a cursar Sistemas de Informação. Formado em 2017, ele voltou a tocar na noite e começou a publicar vídeos nas redes sociais.
A internet acabou funcionando como uma ponte para novos trabalhos. Em 2019, uma oportunidade no estúdio Midas, de Rick Bonadio, levou Coimbra a se mudar para São Paulo e abriu uma nova fase de sua carreira.

Técnica construída a partir das próprias limitações
Um dos pontos mais interessantes da conversa está na relação de Coimbra com a técnica. Por ter aprendido a tocar como destro, mesmo sendo canhoto, ele desenvolveu uma abordagem particular para as duas mãos. A dificuldade com velocidade na palhetada fez com que seu fraseado naturalmente se aproximasse de linhas mais ligadas.
Com o tempo, aquilo que poderia ser visto como uma limitação passou a fazer parte de sua identidade musical.
Coimbra também fala sobre como desenvolveu sua palhetada de maneira bastante intuitiva. A observação de outros guitarristas teve papel importante nesse processo, inclusive para encontrar novas formas de tocar funk e trabalhar o strumming.
O equipamento depende da música
A entrevista também entra em um assunto inevitável para quem trabalha como sideman: o equipamento.
Coimbra conta como sua relação com o digital e o analógico mudou ao longo dos anos. Em determinado momento, chegou a montar um rig digital com HX FX, Quad Cortex, H9 e POG2, todos integrados por MIDI.
Leia a edição de nº 153 da Revista Guitarload
A lógica, segundo ele, é simples: não aceitar as limitações de um único equipamento quando é possível combinar diferentes ferramentas. Ao mesmo tempo, o guitarrista destaca que não existe uma fórmula universal. O equipamento precisa responder às características de cada gig.
No show de Simone, por exemplo, a dinâmica é completamente diferente de trabalhos em que o controle proporcionado por um setup digital se torna mais importante.




