Se você toca guitarra, sabe que inspiração nem sempre vem de outros guitarristas. Muitas vezes, uma ideia nova aparece justamente quando ouvimos algo diferente do que estamos acostumados.
Os lançamentos recentes mostram isso muito bem. Entre jazz, surf music, indie e metal sinfônico, há trabalhos que exploram timbres, arranjos, melodias e diferentes formas de colocar a guitarra dentro da música.
Por isso, selecionamos quatro discos lançados recentemente que merecem a atenção de quem toca. São propostas bem diferentes, mas todas podem trazer alguma ideia nova para o seu jeito de tocar, compor ou pensar timbres.
A lista com mais lançamentos que interessa aos ouvidos de todo guitarrista está na ed. de nº 153 da Revista Guitarload. Abaixo, no entanto, você confere um spoiler.
Quatro discos, quatro maneiras de pensar guitarra
Os quatro discos mostram que não existe uma única maneira de usar a guitarra em uma música. Ela pode conduzir a composição, dividir espaço com outros instrumentos ou funcionar como apenas mais uma camada do arranjo.
Para quem toca, ouvir essas diferenças com atenção pode ser um ótimo exercício. Um riff, uma textura, uma escolha de timbre ou até a ausência da guitarra podem abrir caminhos interessantes para o próprio instrumento.
No fim, ampliar as referências também faz parte de desenvolver identidade. E talvez você encontre em um desses quatro discos uma ideia que não estava procurando.

Kelly Doyle – Thieves
Em Thieves, Kelly Doyle transforma guitarra, saxofone, baixo e bateria em uma conversa cheia de detalhes. O álbum mistura elementos de jazz, country e exotica dos anos 1950, mas evita ficar preso a uma única fórmula. Para guitarristas, é um disco especialmente interessante pela maneira como Doyle trabalha timbres, espaço e improvisação.
Martin Cilia – Instromania
O guitarrista australiano Martin Cilia aposta no formato instrumental em Instromania, álbum com 12 faixas e pouco mais de 40 minutos. O disco passeia por diferentes referências da música instrumental, com a guitarra conduzindo boa parte das composições. É uma boa pedida para quem gosta de guitarra instrumental sem abrir mão de composições diretas.
Phoebe Bridgers – Lost Weekend
O terceiro álbum de Phoebe Bridgers amplia o universo sonoro que a guitarrista e compositora vinha construindo. Lost Weekend combina elementos folk e indie com sintetizadores, vocais processados, violino, bandolim e texturas experimentais. Para quem toca guitarra, o interesse está justamente na forma como o instrumento deixa de ocupar o centro do arranjo. Em vez disso, ele passa a funcionar como parte de uma paisagem sonora maior.
Xandria – Eclipse
O novo disco do Xandria mergulha no metal sinfônico, mas não se limita às fórmulas mais tradicionais do estilo. Eclipse combina riffs inspirados no metal dos anos 1980, guitarras de afinação mais grave, orquestrações cinematográficas, elementos folk e passagens eletrônicas.
Para guitarristas, o álbum é um bom exercício de contraste. Riffs pesados convivem com arranjos orquestrais e momentos mais atmosféricos, criando diferentes espaços para a guitarra dentro das músicas.
Outros lançamentos destacados na Guitarload nº 153
- Billy Morrison – HOLLOW
- Cindy Blackman Santana – Coherence
- Citizen – Halcyon Blues
- Blues Now
- Joyce Moreno, Tutty Moreno & Adrian Younge – Joyce e Tutty Moreno JID027
- Keb’ Mo’ – The Breakdown
A edição nº 153 da Revista Guitarload também é um convite para descobrir esses lançamentos e perceber como a guitarra continua encontrando novos caminhos. Entre riffs, solos, melodias e diferentes abordagens, os discos mostram que o instrumento segue em constante transformação. E é justamente isso que torna a guitarra tão fascinante: ela nunca para de evoluir.




