Uma lesão sofrida durante uma atividade comum de jardinagem acabou transformando a relação de Phoebe Bridgers com a guitarra. A cantora e compositora revelou que um corte no dedo a obrigou a abandonar temporariamente alguns acordes tradicionais, levando-a a explorar novas afinações e abordagens criativas na composição.
A declaração foi dada em entrevista à Guitar Player e voltou a chamar atenção após a artista retomar apresentações ao vivo depois de um período longe dos palcos.
Acidente aconteceu durante uma atividade no jardim
Segundo Bridgers, o incidente ocorreu enquanto ela cortava caules de flores em casa. A artista contou que a faca escapou durante o trabalho e atingiu uma articulação do dedo. Desde então, a região permaneceu rígida e dolorida, dificultando a execução de acordes que faziam parte de seu repertório habitual.
“Eu machuquei meu dedo há cerca de um ano e meio. Isso me impediu de tocar Mi e Fá, que estavam presentes em muitas das minhas músicas”, explicou.
A limitação física gerou preocupação inicial, mas também abriu caminho para novas possibilidades criativas.
Afinações alternativas ganharam espaço no processo criativo
Com dificuldades para reproduzir determinadas posições no braço da guitarra, Bridgers passou a explorar acordes menos convencionais e afinações alternativas.
A cantora afirma que começou a utilizar com mais frequência afinações abertas, concentrando-se menos nos formatos tradicionais dos acordes e mais nas melodias das composições. Segundo ela, o processo passou a funcionar como uma forma de se surpreender durante a criação das músicas.
A abordagem se tornou particularmente presente em suas composições mais recentes, ampliando as possibilidades harmônicas utilizadas pela artista.
Limitações físicas já influenciaram outros grandes guitarristas
A história de Bridgers lembra casos conhecidos da música em que limitações físicas acabaram influenciando o desenvolvimento de novas técnicas.
Entre os exemplos mais famosos está Tony Iommi, que perdeu parte das pontas de dois dedos em um acidente industrial antes de fundar o Black Sabbath.
Outro caso frequentemente citado é o de Django Reinhardt, que desenvolveu uma linguagem própria após sofrer lesões severas na mão esquerda.
Joni Mitchell também passou a explorar dezenas de afinações alternativas ao longo da carreira, em parte devido às limitações provocadas pela poliomielite contraída na infância.
No caso de Bridgers, a lesão não interrompeu sua atividade musical, mas acelerou a adoção de recursos que hoje fazem parte de sua identidade artística. A cantora também revelou utilizar frequentemente uma afinação aberta em Ré bemol, obtida a partir de uma guitarra barítono afinada em Lá aberto com o uso de capotraste na quarta casa.
O resultado foi uma mudança significativa em sua linguagem harmônica, demonstrando como situações inesperadas podem influenciar a evolução criativa de um músico.




