Chegou o dia em que a JHS Pedals finalmente colocou um pedal oitavador no catálogo, mas do jeito menos “certinho” possível. O Double Dragon soma sub-oitava e oitava acima para te colocar no papel de trio instantâneo, com aquele tempero lo-fi que bagunça o sinal de propósito para gerar mais textura, personalidade e até um pouco de caos musical.
A própria JHS trata o lançamento como um marco. Apesar de já ter explorado oitava em fuzz, a marca diz que ainda não tinha chegado a um circuito de sub-oitava que “morasse bem” dentro do que ela entende como identidade da empresa, e que por isso preferiu esperar até acertar o ponto “weird, wild and lo-fi” (estranho, selvagem e lo-fi). Em outras palavras, a estreia não vem para competir com oitavas digitais “cirúrgicas”, e sim para oferecer um comportamento que reage ao jeito de tocar.
O conceito faz sentido quando você pensa no que um bom octaver faz no contexto de banda. A sub-oitava serve como base e pode dar aquela sensação de peso sincronizado sob os dedos, como se um contrabaixo estivesse dobrando o riff com você.
Já a oitava acima, no Double Dragon, não é apenas “pitch”; ela vem com distorção e tem uma pegada que a JHS posiciona entre o Octavia e o Superfuzz, com médios saltados para aparecer na mix. Dá para imaginar isso como “outra guitarra” preenchendo o espectro de cima enquanto a sub segura o chão.
O charme do Double Dragon está no caos proposital
O Double Dragon é um efeito monofônico e 100% analógico, construído com tecnologia de divisores de oitava inspirada em circuitos clássicos do tipo MXR Blue Box, Boss OC-2 e EHX Micro-Synth. A ideia é assumir que o rastreamento não vai tentar te copiar com perfeição.
Em fraseado de nota única, ele tende a ficar mais estável e vira uma máquina de riffs; em acordes, o circuito pode gaguejar, pular e “brigar” consigo mesmo, criando glitches (falhas) e texturas novas. Esse comportamento, aqui, não aparece como defeito. A intenção é soar como se o pedal estivesse “tocando junto” com você.
Na prática, isso abre um caminho legal para quem gosta de originalidade no timbre. Dá para usar a sub-oitava como “falso baixista” para riffs em power trio, mas também dá para explorar o lado menos previsível como ferramenta de textura. E, como o OCT+ é um segundo circuito acionado por um footswitch dedicado, você consegue tratar a oitava acima como um tempero em momentos pontuais, sem necessariamente mudar todo o set.
Nos controles, a JHS manteve o layout simples: Volume, Dry para misturar o sinal limpo (com a recomendação de começar no máximo), OCT− para dosar a sub-oitava e OCT+ para o nível da oitava acima com distorção.
São dois footswitches: o da esquerda liga/desliga o efeito principal; o da direita aciona apenas o OCT+ . Se a ideia for usar “só” oitava acima, a orientação é aumentar o OCT+ e baixar o OCT−.
Outro detalhe interessante: com as oitavas desligadas e o Dry no máximo, a JHS sugere o Double Dragon como um tipo de pré/boost sempre ligado, aproveitando o Volume com reserva de ganho. Em pedalboard, ele traz jacks no topo, alimentação 9V DC centro negativo, bypass com buffer silencioso e consumo indicado de 75 mA.
Para encaixar no set, a própria JHS comenta que ele “casa bem” com overdrive depois (especialmente os de médios mais evidentes, no estilo Tube Screamer), fuzz depois para acentuar o caos e pitch vibrato para uma textura mais synth-like.
Para mais informações, visite o site da JHS Pedals.




