Joe Bonamassa tem uma das coleções de guitarras vintage mais impressionantes do mundo, mas nem todos os seus instrumentos favoritos seguem à risca as configurações originais de fábrica. Um exemplo é uma Fender Telecaster de 1968 equipada com captadores Gibson PAF.
O guitarrista apresentou o instrumento em uma entrevista à Guitar Center e explicou por que a combinação pouco convencional conquistou espaço entre suas guitarras preferidas. Para Bonamassa, a mistura de características de diferentes modelos pode resultar em um instrumento particularmente versátil.
A Telecaster foi comprada pelo músico há cerca de 15 anos, em Daytona Beach, na Flórida. Segundo ele, o instrumento não tinha um preço elevado e revelou seu potencial assim que foi conectado a um amplificador.
Fender por fora, Gibson no som
A principal alteração da guitarra está nos captadores. Em vez dos tradicionais single-coils associados à Telecaster, o instrumento utiliza humbuckers Gibson PAF.
A configuração também inclui potenciômetros de 500k. Somados aos captadores humbucker, eles contribuem para uma resposta diferente daquela normalmente esperada de uma Telecaster tradicional.
Ao mesmo tempo, a guitarra preserva elementos fundamentais da plataforma Fender, como o braço de maple e o corpo de ash.
O resultado é justamente o que Bonamassa considera interessante: uma guitarra que combina características normalmente encontradas em instrumentos de propostas distintas.
“É basicamente uma Gibson Les Paul encaixada em uma Fender Telecaster”, resume o guitarrista.
Uma guitarra para diferentes estilos
A configuração não ficou restrita à coleção. Bonamassa afirma que levou o instrumento para diferentes situações musicais, utilizando a Telecaster modificada tanto em apresentações de rock quanto de jazz fusion.
A versatilidade é, inclusive, um dos principais motivos para o guitarrista manter a guitarra entre suas favoritas.
Apesar de admirar o resultado, Bonamassa faz uma ressalva para quem pretende reproduzir a experiência. Ele não recomenda comprar uma Telecaster vintage valiosa apenas para realizar modificações estruturais no instrumento.
Para o músico, encontrar uma guitarra que já tenha sido modificada pode ser uma alternativa mais interessante. Nesse caso, o comprador aproveita uma configuração híbrida sem precisar alterar uma peça vintage originalmente preservada.
Bonamassa e o fim do purismo?
A preferência por uma guitarra modificada combina com outras opiniões recentes de Bonamassa sobre tecnologia e equipamentos. O guitarrista, conhecido por sua ligação com amplificadores e instrumentos vintage, também vem demonstrando uma postura menos rígida em relação aos equipamentos digitais.
Recentemente, ele admitiu que mudou sua percepção sobre os modeladores de amplificadores. Depois de afirmar que inicialmente queria rejeitar a tecnologia, Bonamassa reconheceu que os equipamentos digitais podem chegar ao ponto de superar suas referências valvuladas.
No caso da Telecaster de 1968, a filosofia é aplicada diretamente ao instrumento: em vez de seguir uma receita específica, Bonamassa encontrou valor justamente na combinação de elementos que normalmente pertencem a universos diferentes.
A guitarra mostra, assim, que uma peça vintage não precisa necessariamente permanecer presa à configuração original para continuar relevante. Em determinadas situações, a mistura entre conceitos pode ser justamente o que transforma um instrumento em uma ferramenta mais completa.




