Não, você não leu errado: a Strandberg está desenvolvendo uma guitarra com headstock.
A marca que ajudou a popularizar as guitarras sem headstock agora está fazendo justamente o caminho contrário. Batizada de UME, a nova criação de Ola Strandberg terá um design modular e está sendo desenvolvida para um músico misterioso, cujas necessidades, segundo o próprio designer, vão além do que qualquer guitarra atual consegue oferecer.
O projeto resgata uma ideia que estava engavetada há mais de uma década. Tudo mudou depois que Ola conheceu o guitarrista durante a NAMM Show 2026 e percebeu que suas necessidades poderiam finalmente dar um propósito concreto ao conceito.
Um projeto que estava parado há mais de uma década
A história da UME, porém, começou muito antes desse encontro.
Ola Strandberg havia experimentado o conceito há mais de dez anos. A ideia era criar uma guitarra radicalmente modular, com diferentes camadas e componentes intercambiáveis.
O projeto acabou abandonado porque, segundo o próprio designer, faltava um problema concreto que justificasse aquelas soluções.
“Minhas ideias eram soluções em busca de problemas para resolver, em vez do contrário.”
A situação mudou quando Ola conheceu o músico misterioso. Ao entender melhor suas necessidades e as limitações dos instrumentos atuais, o projeto passou a fazer sentido novamente.
“Percebi que estava respondendo às questões de projeto em aberto para o projeto do UME”, explicou.
A Strandberg vai colocar um headstock na UME

A característica mais inesperada da UME será justamente o headstock.
A Strandberg construiu sua identidade em torno das guitarras headless, como a Boden e a Salen. Portanto, a decisão representa uma mudança considerável na filosofia visual da marca.
Ola, porém, afirma que existem razões práticas para utilizar um headstock.
Entre elas está a sensação do instrumento durante a execução. O designer cita especificamente técnicas como bends, além da influência que a massa da região da cabeça pode exercer sobre a percepção do instrumento.
Também existe uma questão de preferência pessoal.
Segundo Ola, alguns músicos podem sentir falta da massa adicional na extremidade do braço em uma guitarra sem headstock. Para o músico envolvido no projeto, isso seria uma limitação real.
A solução encontrada foi criar um headstock modular, integrado à proposta geral da UME.
Modularidade será o centro do projeto
A nova guitarra não deverá ser apenas uma Strandberg tradicional com um headstock adicionado.
O conceito prevê uma arquitetura completamente modular, com diferentes elementos que poderão ser combinados de acordo com as necessidades do músico.
Entre eles estão:
- Módulos de corpo;
- Módulos de braço;
- Componentes ajustáveis;
- Headstock modular;
- Elementos intercambiáveis para diferentes configurações.
A proposta permite imaginar uma guitarra construída em torno do músico, e não o contrário.
O conceito também lembra a relação de Ola Strandberg com Tosin Abasi. Quando conheceu o guitarrista, ainda no início de sua trajetória, as necessidades específicas de Abasi ajudaram a levar ao desenvolvimento da Boden de alcance estendido.
Quem é o guitarrista por trás da UME?
Por enquanto, essa é a parte que permanece em segredo.
Ola não revelou a identidade do músico que motivou o retorno do projeto. A promessa é que novas publicações do Strandberg Lab apresentem mais detalhes sobre a UME e, eventualmente, revelem quem está colaborando com o designer.
Até agora, a única imagem divulgada mostra uma renderização bastante desfocada do instrumento.
A UME, portanto, ainda está longe de ser um modelo convencional de catálogo. É um experimento de design que coloca uma pergunta curiosa sobre a mesa: o que acontece quando uma das principais marcas de guitarras headless decide criar justamente uma guitarra com headstock?
Para mais informações, acese o site Strandberg Lab.





