A transformação sonora do Rush nos anos 1980 é considerada uma das fases mais marcantes da carreira da banda. Mas, para Alex Lifeson, essa evolução teve um preço: o guitarrista afirma que passou anos tentando recuperar o espaço da guitarra nas gravações, especialmente após “Subdivisions”, faixa de abertura do álbum Signals (1982).
Em entrevista à revista Classic Rock, Lifeson revelou que a mixagem da música foi um divisor de águas. Segundo ele, a guitarra ficou praticamente escondida sob as camadas de sintetizadores, inaugurando o que descreve, em tom bem-humorado, como sua luta pelos “direitos da guitarra”.
“Não conseguia ouvir minha guitarra”
Lifeson conta que acompanhava a mixagem de “Subdivisions” quando percebeu que seu instrumento praticamente desaparecia na música.
“Eu estava sentado pensando: ‘Não consigo ouvir a guitarra’. Sou um cara muito tranquilo, mas pensei: ‘Isso não está certo’. Então aumentei o volume do fader.”
A reação, porém, não durou muito. O produtor Terry Brown imediatamente reduziu novamente o volume da guitarra.
“Lembro do Terry sorrindo, estendendo a mão e abaixando o fader. Eu mal conseguia ouvir minha guitarra naquela mixagem, e aquilo parecia muito errado.”
Uma música que ele admira, apesar da mixagem
Mesmo discordando do equilíbrio sonoro da gravação, Lifeson faz questão de separar a produção da composição.
“É uma música forte, só não gostei da mixagem. Acho que lutei pelos meus direitos de guitarra durante anos depois disso.”
Quando os teclados passaram a vir primeiro
A declaração reforça comentários feitos pelo guitarrista no início deste ano, durante uma conversa com Rick Beato.
Segundo Lifeson, a partir da metade dos anos 1980 os sintetizadores passaram a ser gravados antes das guitarras, o que tornava cada vez mais difícil encontrar espaço para seu instrumento.
“Eu ficava esperando para gravar minhas partes. Quanto mais camadas de teclado apareciam, mais difícil era descobrir onde a guitarra entraria. E eu pensava: ‘Eu sou o guitarrista dessa banda. O que aconteceu?'”
Evolução acima do conforto
Apesar da frustração, Lifeson reconhece que essa busca por novos caminhos foi essencial para a identidade do Rush.
Segundo ele, repetir a mesma fórmula nunca fez parte da filosofia do trio.
“O progresso é importante para nós. Sempre quisemos ir para um lugar diferente e continuar evoluindo.”
Embora a guitarra tenha perdido protagonismo em parte da produção da banda durante aquela década, Lifeson deixa claro que a experimentação sempre esteve acima do conforto artístico, mesmo quando isso significava abrir mão de parte do espaço que ocupava nas gravações.





