Depois de mais de uma década longe dos palcos com o repertório do Rush, Alex Lifeson descobriu que nem todas as músicas voltam naturalmente às mãos. E uma delas se mostrou muito mais desafiadora do que ele imaginava.
Em entrevista à Rolling Stone Australia, o guitarrista revelou que “A Farewell to Kings” foi a canção mais difícil de reaprender durante a preparação para a turnê de retorno Fifty Something.
“Provavelmente é a música mais difícil de todas”, admitiu Lifeson.
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A declaração ajuda a dimensionar o nível de exigência do repertório escolhido por ele e Geddy Lee, que decidiram resgatar músicas pouco executadas ao vivo e se desafiar artisticamente em vez de apostar apenas nos clássicos mais óbvios.
Uma música que parece fácil, mas não é
Lifeson explicou que a dificuldade de “A Farewell to Kings” não está apenas na técnica, mas principalmente em sua estrutura.
Segundo ele, cada seção da música exige concentração individual, e a introdução é um verdadeiro quebra-cabeça rítmico.
“Ela é estranha, estruturalmente. Cada parte é difícil de tocar por si só.”
O guitarrista conta que a abertura muda constantemente. Compassos ganham e perdem tempos, obrigando o músico a memorizar exatamente a sequência de alterações antes mesmo de chegar ao riff principal.
“Você pensa que a introdução é tranquila, mas não é”, afirmou.
Reaprender a tocar o repertório do Rush depois de 11 anos
A preparação para a turnê também representou um desafio físico. Lifeson já havia contado anteriormente que, após a morte de Neil Peart, em 2020, passou mais de um ano praticamente sem conseguir tocar guitarra. O reencontro com Geddy Lee no tributo a Taylor Hawkins, em 2022, reacendeu sua vontade de voltar ao instrumento.
Quando a ideia de revisitar o catálogo do Rush ganhou força, veio a surpresa.
“Eu meio que esqueci o quanto essas músicas eram difíceis. Antes elas pareciam naturais.”
Agora, aos 72 anos, o guitarrista diz que suas mãos simplesmente não respondem da mesma forma que décadas atrás.
A ginástica por trás da introdução
Além da guitarra elétrica, A Farewell to Kings exige uma execução delicada no violão, exatamente como foi gravada em 1977.
Lifeson afirma que manter a suavidade da interpretação enquanto administra trocas de instrumento e passagens complexas exige um esforço enorme.
“Minhas mãos não funcionam mais como antes. Estou me esforçando muito para voltar a esse nível.”
Apesar das dificuldades, o músico acredita que o trabalho valeu a pena. O objetivo da turnê nunca foi apenas reproduzir o passado, mas tocar essas composições melhor do que nunca.
Um clássico de 1977 que continua desafiando guitarristas
Lançada como faixa de abertura do álbum A Farewell to Kings, a música é considerada uma das obras mais sofisticadas do Rush.
A combinação de violão clássico, mudanças de compasso, riffs intrincados e dinâmica progressiva transformou a faixa em um dos maiores desafios do repertório de Lifeson, tanto em 1977 quanto quase cinquenta anos depois.
E, pelo visto, nem mesmo quem a compôs escapa da própria dificuldade.




