Existe uma nota de US$ 100 pendurada até hoje na parede de um escritório da Warner Bros., e ela conta uma das histórias mais improváveis da carreira de Eric Clapton. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (26), o guitarrista revelou que perdeu essa aposta ao duvidar do próprio Unplugged, o disco acústico de 1992 que ele jurava que fracassaria.
A aposta foi feita com Lenny Waronker, na época chefe da Warner Bros. Enquanto o executivo estava convencido de que tinha um sucesso em mãos, Clapton apostou US$ 100 que o álbum não chegaria nem ao Top 50. “Ele achava que era um álbum de sucesso”, lembrou o guitarrista.
O ceticismo de Clapton não era tanto que ele sequer queria lançar o disco e chegou a sugerir uma tiragem limitada, de umas 500 cópias, só para tirar aquilo da frente.
“Eu tinha uma aversão por ele durante muito tempo”, admitiu.
A virada veio do trabalho com o produtor Russ Titelman e o guitarrista Andy Fairweather Low. Sentados na cozinha da casa de Clapton, em Chelsea, os dois destrincharam as variações que poderiam aplicar às músicas, incluindo a releitura acústica de “Layla” e o cuidado quase obsessivo para acertar a versão de “Malted Milk”, de Robert Johnson.
A aposta de Clapton não podia ter dado mais errado. O Unplugged não só entrou nas paradas como se tornou, segundo o Guinness World Records, o álbum ao vivo mais vendido de todos os tempos e o maior sucesso comercial da carreira de Clapton. Só a versão em áudio somou 26 milhões de cópias vendidas mundo afora.
Do fracasso anunciado à influência sobre uma geração
Décadas depois, Clapton passou a enxergar o alcance do que criou. Na entrevista, o guitarrista relata que alguém lhe disse que o Unplugged “basicamente salvou o violão de aço”, e ele reconhece o orgulho que sente por isso. O disco reacendeu o interesse pelo instrumento acústico numa época dominada por outras sonoridades.
Quando o entrevistador sugeriu que ele havia inspirado milhões de pessoas a tocar, Clapton puxou a conversa para as próprias raízes.
“Eu comecei no violão. Quando eu pratico, pratico no violão, e isso faz você tocar de um certo jeito”, explicou.
Sobre ter inspirado tantos músicos, Clapton foi modesto e disse que não dá nem para medir o tamanho disso. Ele preferiu apontar aquela que considera sua principal missão, a de fazer o mundo conhecer o nome de Robert Johnson, bluesman que ele descreve como o artista que “abriu tudo” para ele.
A entrevista, conduzida por Michael Doyle, teve como pano de fundo os novos modelos Martin de assinatura de Clapton para a coleção Crossroads 2026. Confira a conversa na íntegra no vídeo abaixo.





