Quando dois guitarristas admirados por meio mundo se encontram no palco, a expectativa é de um duelo de musicalidade e virtuosismo. No caso de Eric Gales e Matteo Mancuso, o que mais marcou aconteceu longe das cordas. Em entrevista concedida a Rick Beato, Gales relembrou o encontro com o jovem italiano e não poupou palavras para descrevê-lo.
Para o bluesman, o encontro com Mancuso foi diferente de tudo. Ele contou que os dois quase choraram só de se conhecer, antes mesmo de pegar nos instrumentos.
“Tocar uma música de um dos músicos mais icônicos de todos os tempos, Jeff Beck, foi como uma experiência religiosa para mim. Foi como duas almas gêmeas se encontrando.”
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A admiração não é nova. Gales acompanhava o trabalho de Mancuso pelas redes sociais antes de qualquer contato pessoal, e faz parte do tipo de músico que ele mais respeita. Matteo Mancuso chamou a atenção do mundo da guitarra justamente pela técnica incomum, tocando sem palheta, apenas com os dedos da mão direita, num controle que poucos alcançam.
A admiração não é nova. Gales acompanhava o trabalho de Mancuso pelas redes sociais antes de qualquer contato pessoal, e faz parte do tipo de músico que ele mais respeita. Matteo Mancuso chamou a atenção do mundo da guitarra justamente pela técnica incomum, tocando sem palheta, apenas com os dedos da mão direita, num controle que poucos alcançam.
Tocar Jeff Beck juntos
O encontro entre os dois aconteceu no Neighborhood Theatre, em Charlotte. Gales subiu ao palco ao lado de Mancuso para tocar “Cause We’ve Ended as Lovers”, de Jeff Beck, um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos, morto em 2023. Para Gales, dividir aquele repertório com o italiano foi como uma experiência espiritual, o tipo de coisa que ele diz já ter mencionado várias vezes ao falar dele.
O que poucos na plateia sabiam é o estado em que ele chegou ali. Tinha desembarcado de Mumbai, na Índia, havia 48 horas, e estava com uma gripe forte. Mesmo assim, fez questão de não abrir mão do encontro.
Antes de começar, foi sincero com o público sobre o próprio estado e pediu paciência. Contou que vinha trocando mensagens com Mancuso e que não deixaria passar aquela oportunidade, por pior que estivesse se sentindo. Segundo ele, não havia entrevista em que não citasse o nome do italiano.
O recado ao público resumiu bem o tamanho da expectativa.
“Estou pedindo a vocês, na frente de todas essas pessoas, por favor, peguem leve comigo esta noite.”
No fim, o encontro entre os dois funcionou como uma espécie de troca de gerações. De um lado, um nome consolidado do blues. Do outro, um dos guitarristas mais comentados da nova safra. E o que ficou, pelo relato de Gales, não foi a técnica de nenhum dos dois, mas a conexão entre eles.



