Não é novidade alguma que as redes sociais aproximaram artistas e público como nunca na história. Isso tem um lado bom, mas a exposição pública também cobra o seu preço: os comentários maldosos, que não escolhem profissão nem talento. Eric Gales, um dos nomes mais respeitados do blues atual, também lida com a hostilidade online, mas encontrou um jeito próprio de conviver com isso, e contou qual foi em entrevista concedida a Rick Beato.
Um dos casos mais marcantes para o guitarrista envolveu um vídeo dele tocando “Für Elise”, de Beethoven. No meio de centenas de elogios, um destoou de todos os outros. Nas palavras do próprio Gales:
“Uma pessoa disse: ‘Sabe de uma coisa? Já vi crianças de 12 anos tocando melhor do que isso. E, para ser sincero, ele não está tocando para valer.’ Aí minha esposa não aguentou e comentou: ‘Quero te convidar pessoalmente para um show, para você ver com seus próprios olhos.’ Eles estavam achando que era inteligência artificial ou algo assim.”
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Segundo Gales, existe uma explicação para a desconfiança. O guitarrista toca guitarra de destro ao contrário, sem nenhuma modificação. Foi ele que se adaptou ao instrumento. Para quem está acostumado com a mão se movendo do jeito convencional, dá um certo nó na cabeça, e é fácil entender por que alguns duvidam do que veem.
O mais interessante, no entanto, não é o comentário em si, e sim o que Gales faz com ele. Para o guitarrista, tudo que alguém escreve fala primeiro sobre quem escreveu.
“É só um espelho”, ele diz. Por mais agressiva que seja, uma mensagem dessas costuma dizer respeito da própria pessoa. E Gales reconhece uma armadilha que qualquer um já sentiu: dá para ler cem comentários bons e ainda assim levar para casa só o ruim.
Ele mesmo admite que não sabe explicar por que esses comentários grudam tanto. Mas faz questão de lembrar que nenhum deles muda o que ele tocou, e não deveriam mexer com o que ele sente sobre o próprio trabalho. Não tira o incômodo, mas tira o peso.
Flores em vida, não elogios tardios
Em um outro trecho da conversa, o tema das redes sociais já hava sido abordado sobre uma outra perspectiva. A parte que mais diz sobre ele é o avesso de tudo isso. Quando Gales vê um guitarrista que nunca ouviu falar e se impressiona, manda mensagem na hora. Costuma se apresentar sem peso nenhum, dizendo que não importa se a pessoa sabe quem ele é, que ali está alguém que o inspirou.
A ideia por trás é simples. Num lugar onde o caminho mais curto quase sempre é a inveja, ele prefere o elogio, e torce para que mais gente faça o mesmo. E o que ele deixa claro ao se dirigir a esses guitarristas é inspirador:
“Quero que você saiba que, ei, eu estou te observando, cara, e eu te ouço e estou realmente comovido com o que vi.”
No fim das contas, uma crítica injusta acabou revelando bastante coisa sobre o sujeito. Ele apanhou, sacou que aquilo era mais sobre o outro do que sobre ele, e respondeu fazendo o contrário com os próprios colegas. Serve para guitarrista, e serve para qualquer um que poste algo na internet.
Assista à conversa completa abaixo:




