Joe Bonamassa voltou a comentar um tema que considera preocupante no universo da guitarra: a cultura de críticas excessivas nas redes sociais. Em entrevista à Guitar Interactive Magazine, o bluesman afirmou que o ambiente online transformou pequenos erros em julgamentos públicos desproporcionais, prejudicando músicos que apenas estão fazendo seu trabalho.
Para ilustrar seu ponto, Bonamassa relembrou um dos episódios mais comentados da última década: o erro cometido por Nick Jonas durante uma apresentação ao vivo com a cantora Kelsea Ballerini, no ACM Awards de 2016. Na ocasião, o guitarrista e cantor errou um solo transmitido para milhões de espectadores, tornando-se alvo de memes, vídeos de reação e críticas nas redes sociais.
Segundo Bonamassa, esse tipo de reação demonstra como parte da comunidade musical perdeu a capacidade de enxergar o lado humano dos artistas.
“Isso fez com que esse cara precisasse de terapia”, afirmou.
Bonamassa diz que redes sociais amplificam erros dos músicos
Durante a conversa, Bonamassa comparou esse comportamento ao chamado “quarterback de sofá”, expressão popular nos Estados Unidos usada para descrever pessoas que criticam atletas sem jamais terem vivido a pressão da competição.
Na visão do guitarrista, a internet criou um ambiente onde qualquer apresentação é analisada em busca de falhas, muitas vezes por pessoas mais interessadas em apontar erros do que em apreciar a música.
“O que vocês querem que ele faça? Queime a guitarra em efígie ou se jogue de um penhasco?”, questionou Bonamassa ao comentar a intensidade das críticas direcionadas a Nick Jonas.
Nick Jonas revelou que procurou terapia após erro ao vivo
Anos depois do episódio, Nick Jonas admitiu que a repercussão afetou profundamente sua saúde mental.
Segundo o músico, tudo aconteceu apesar de meses de preparação para a apresentação.
“Eu ensaiei um milhão de vezes. Quando caminhei em direção à Kelsea, simplesmente fiquei em branco. Errei uma nota, percebi que estava errado e não consegui parar”, relembrou.
Posteriormente, Jonas afirmou que a repercussão foi tão intensa que decidiu procurar terapia.
Embora hoje consiga enxergar a situação com mais leveza, ele reconheceu que o impacto emocional foi muito maior do que imaginava na época.
“Música não é competição”, afirma Joe Bonamassa
Bonamassa também criticou outro comportamento comum entre fãs de guitarra: transformar encontros entre grandes músicos em disputas imaginárias.
O guitarrista citou suas apresentações ao lado de Kenny Wayne Shepherd e Warren Haynes como exemplos de colaborações que frequentemente são interpretadas pelo público como batalhas para definir “quem tocou melhor”.
Para ele, essa visão ignora o verdadeiro espírito da música ao vivo.
“Não é uma competição. Estamos apenas nos divertindo”, afirmou.
Bonamassa ainda ironizou a postura de parte do público ao perguntar se essas apresentações deveriam terminar com um troféu, um prêmio em dinheiro ou um juiz declarando um vencedor.
Na avaliação do guitarrista, tratar cada improviso ou cada nota como uma disputa apenas empobrece a experiência musical e alimenta uma cultura que privilegia comparações em vez de criatividade, colaboração e respeito entre artistas.





