Se você toca guitarra, sabe que pequenas mudanças na mão direita podem transformar completamente uma frase. Para Joe Bonamassa, esse é um dos segredos para desenvolver um jeito próprio de tocar.
Em uma nova aula publicada pela Guitar World em 3 de setembro, o guitarrista explica como variar o ataque da palheta e, em determinados momentos, simplesmente deixá-la de lado. A ideia é ampliar as possibilidades de articulação e expressão do instrumento.
A palheta pode ficar escondida durante o solo
Bonamassa propõe uma técnica bastante prática para fazer essa mudança sem precisar interromper a execução. Ele prende a palheta na articulação dobrada do dedo indicador e passa a tocar principalmente com o polegar e o dedo médio.
A abordagem permite alternar rapidamente entre palhetada e dedilhado. Segundo o guitarrista, tocar diretamente com os dedos proporciona diferenças de volume, timbre e caráter que não aparecem da mesma maneira com a palheta.
Em uma das demonstrações, Bonamassa usa o polegar nas cordas mais graves e o dedo médio nas mais agudas. O resultado inclui um ataque mais pronunciado e uma variedade maior de nuances.
A técnica também aproxima seu fraseado de uma tradição importante do blues. Bonamassa cita Albert King como uma das principais referências no uso do dedilhado para solos.
A mão direita também faz parte do fraseado
Para Bonamassa, a expressividade de um solo não está apenas nas notas escolhidas. A maneira como cada uma delas é articulada pode mudar completamente a sensação da frase.
Isso envolve a força do ataque, a escolha entre palheta e dedos e a forma como a mão esquerda trabalha bends, releases e outras articulações.
Em outra demonstração, o guitarrista utiliza apenas o polegar nas cordas graves para mostrar como o dedilhado pode produzir uma sonoridade mais encorpada.
A proposta é especialmente interessante para quem costuma tocar sempre da mesma maneira. Em vez de pensar apenas em novas escalas ou licks, Bonamassa sugere explorar novas formas de executar aquilo que o guitarrista já conhece.
De rock a B.B. King em uma mesma música
Bonamassa leva essa ideia para “The Ballad of John Henry”. A música combina um lick baseado na pentatônica menor de Mi com power chords de Sol5 e Lá5.
Durante o solo, ele começa com uma abordagem mais ligada ao blues e ao dedilhado. Depois, volta a utilizar a palheta e incorpora o modo frígio dominante de Mi, antes de retornar ao blues.
É justamente essa mudança de linguagem que mostra como diferentes técnicas podem coexistir no mesmo solo. O guitarrista não precisa escolher entre tocar blues ou rock durante toda a performance.
“Você pode começar com rock e terminar com B.B. King”, resume Bonamassa.
Mais possibilidades para encontrar sua própria voz
A ideia apresentada por Bonamassa vai além de uma técnica específica. O guitarrista defende, na prática, que desenvolver personalidade também significa aprender a controlar diferentes formas de ataque.
Uma mesma frase pode soar completamente diferente dependendo de como a corda é tocada. A palheta pode entregar precisão e força, enquanto os dedos permitem explorar outras dinâmicas, timbres e articulações.
Essa abordagem também combina com a visão de Bonamassa sobre o blues. Para ele, uma linha melódica simples pode ganhar diferentes significados dependendo de como é fraseada e do momento da performance.
No fim, “esconder” a palheta não significa abandoná-la. É apenas mais uma ferramenta para ampliar o vocabulário da mão direita.
E talvez esteja aí a parte mais interessante da dica: antes de procurar uma escala nova ou outro equipamento, vale experimentar uma maneira diferente de tocar as mesmas notas.





