Josh Homme construiu boa parte de sua identidade sonora justamente longe das escolhas mais óbvias. Para o guitarrista do Queens of the Stone Age, procurar uma Les Paul ligada a um Marshall pode ser menos interessante do que descobrir um equipamento que quase ninguém está olhando.
A lógica é simples: se ele vê equipamentos demais do mesmo tipo, passa para o próximo.
“Há muita falta de oferta e de procura”, explicou Homme em conversa com Rick Beato. “Se vejo muita coisa do mesmo tipo, já vi muitos Marshalls e Les Pauls na minha vida, e muitas Strats, simplesmente não compro. Já temos bastante disso.”
A estratégia pode parecer estranha para quem está acostumado a montar um rig partindo dos equipamentos mais conhecidos, mas Homme diz que ela vem funcionando há décadas. O guitarrista encontrou algumas de suas melhores ferramentas justamente em lugares onde outros músicos talvez não procurassem.
O que ninguém está vendo?
A ideia ganhou força especialmente durante os primeiros anos do eBay e nas passagens de Homme por lojas de penhores durante as turnês.
Em vez de procurar pelos equipamentos mais valorizados ou conhecidos, ele prestava atenção justamente naquilo que aparecia pouco. Segundo o guitarrista, aproximadamente seis em cada dez dessas descobertas acabavam sendo equipamentos “incrivelmente fantásticos”.
E havia outro fator: o preço.
Homme lembra que algumas dessas peças custavam cerca de US$ 50. A possibilidade de experimentar equipamentos baratos, desconhecidos e pouco disputados acabou transformando essa busca em uma espécie de obsessão.
A lógica também ajuda a explicar algumas escolhas que se tornaram parte da sonoridade do guitarrista.
O rig de Josh Homme não segue a cartilha
Durante sua passagem pelo Kyuss, Homme ficou conhecido por usar um Ampeg VT-40, amplificador associado ao baixo, com os captadores do braço de suas guitarras. No Queens of the Stone Age, também encontrou uma ferramenta pouco convencional em um amplificador de prática.
A mesma curiosidade aparece nas guitarras.
Homme desenvolveu interesse por instrumentos japoneses fabricados no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Para ele, eram equipamentos bem construídos que acabavam ignorados por grande parte dos músicos.
Alguns ainda tinham recursos incomuns, como botões adicionais para reforço de graves ou circuitos de distorção.
“É tipo: ‘Uau, essa tem botões’”, contou.
Entre os exemplos citados pelo guitarrista estão equipamentos da Univox, marca japonesa que produziu instrumentos e amplificadores com características pouco convencionais. Atualmente, Homme também pode ser visto utilizando guitarras de fabricantes menos conhecidos, como Motor Ave e Maton.
Como montar um rig sem copiar todo mundo?
A ideia de Homme não significa simplesmente comprar equipamentos obscuros. O ponto central está em procurar possibilidades que não aparecem no caminho mais óbvio.
Para quem está montando um rig, isso pode significar experimentar um amplificador fora da categoria esperada, testar uma guitarra de uma marca pouco conhecida ou simplesmente prestar atenção em recursos que passam despercebidos.
Homme descobriu que esse tipo de busca podia produzir resultados particularmente interessantes quando ainda não havia tanta informação disponível na internet. O eBay e as lojas de penhores funcionavam como territórios de descoberta.
A confirmação veio quando ele percebeu que os Rolling Stones também utilizavam amplificadores Ampeg. Para Homme, aquilo funcionou quase como uma validação de seu critério.
“Foi quase como confirmar meu próprio critério ridículo para tomar decisões”, brincou.
No fim, a filosofia de Josh Homme para equipamentos cabe em uma pergunta bastante simples: se todo mundo está procurando a mesma coisa, por que você deveria procurar também?
É uma maneira curiosa de montar um rig, mas talvez seja justamente essa disposição para olhar para o canto da prateleira que tenha ajudado Homme a construir uma sonoridade tão particular.





