Josh Scott, um dos nomes mais respeitados do mercado de pedais de guitarra, fez um alerta direto sobre o uso da inteligência artificial como fonte de informação histórica. Segundo ele, o ChatGPT está “reescrevendo os fatos” e colocando em risco a memória da indústria de pedais.
A crítica surgiu em um novo vídeo publicado no YouTube, no qual Scott decidiu testar o chatbot fazendo perguntas sobre a própria área em que atua há anos: a história dos pedais de efeito. O resultado, segundo ele, foi preocupante.
“Acabei de perguntar ao ChatGPT no meu iPhone sobre a história da minha indústria, pedais de guitarra, e as respostas que recebi foram horríveis e imprecisas”, afirmou.
Conhecido por seu trabalho à frente da JHS e também por seu profundo envolvimento com pesquisa histórica sobre equipamentos, Scott explicou que passou anos conversando com inventores, visitando fabricantes e reunindo informações raras sobre a evolução dos pedais.
Por isso, decidiu colocar a IA à prova justamente em um território que conhece profundamente.
Erros básicos e informações sem fonte acendem o alerta
Durante o teste, Scott perguntou ao ChatGPT qual seria o pedal mais importante da história sob o ponto de vista econômico e social. A resposta chamou atenção até pelo tom quase cômico: “Bibanez Tube Screamer”.
Apesar da justificativa citar corretamente a influência do Tube Screamer no rock, blues e metal, o erro no próprio nome já serviu como primeiro sinal de alerta.
Em seguida, vieram problemas mais graves.
Segundo Scott, a IA afirmou que o clássico Big Muff Pi teria sido fabricado pela Ibanez, quando na verdade o pedal é um dos produtos mais icônicos da Electro-Harmonix.
Ao ser questionado sobre a origem da informação, o sistema não apresentou fontes claras, limitando-se a afirmar que se baseava em uma “história da música bem documentada”.
Para Scott, esse é justamente o maior problema.
Quando pessoas recebem essas informações e republicam isso em fóruns ou grupos de Facebook, cria-se uma cadeia de desinformação sem qualquer comprovação”
Josh Scott
O ciclo de erro pode alimentar a própria IA
Segundo o fundador da JHS, o problema vai além de respostas erradas pontuais. Ele acredita que a IA pode entrar em um ciclo vicioso de retroalimentação, absorvendo novamente informações incorretas que ela mesma ajudou a espalhar.
“Ela está dando informações imprecisas. As pessoas publicam isso. Depois o próprio sistema lê aquilo de novo. Isso é péssimo para a história”, afirmou.
A preocupação de Scott é especialmente relevante em um setor como o de pedais, onde boa parte da história foi construída em nichos, pequenas oficinas e relatos que nem sempre estão bem documentados em fontes oficiais.
Nesse cenário, repetir informações erradas pode distorcer permanentemente a memória de marcas, inventores e circuitos clássicos.
“A história dos pedais está em perigo. O ChatGPT está reescrevendo os fatos”, resumiu.
Debate sobre IA cresce também no universo da guitarra
A discussão acompanha um movimento maior dentro da indústria musical. Ferramentas com inteligência artificial já aparecem em plugins, amplificadores e soluções de prática musical, enquanto artistas e fabricantes seguem divididos entre entusiasmo e preocupação.
Nomes como Brian May e Billy Corgan já manifestaram receios sobre o impacto da IA generativa no processo criativo e na própria autenticidade da música.
No caso de Josh Scott, o foco está menos na criação e mais na preservação histórica.
Seu recado final foi direto para músicos, colecionadores e fãs de gear:
“Questione as fontes. Questione de onde a informação veio. Não aceite algo como fato só porque apareceu em um fórum ou foi digitado nos comentários.”




