A discussão sobre inteligência artificial na música acaba de ganhar um novo capítulo. Depois do sucesso viral da misteriosa banda The Velvet Sundown, um grupo formado por músicos reais decidiu responder da forma mais direta possível: criando uma banda tributo que toca exatamente as mesmas músicas, mas interpretadas por seres humanos.
Batizado de Bootleg Velvet Sundown, o projeto foi idealizado por Simon Balch e tem uma proposta clara. Toda a receita obtida com as gravações será destinada a músicos que, segundo ele, tiveram seus trabalhos explorados para o treinamento de sistemas de inteligência artificial.
Projeto transforma banda de IA em alvo de banda tributo
O The Velvet Sundown ganhou notoriedade nos últimos meses ao lançar três álbuns, Floating On Echoes, Dust And Silence e Paper Sun Rebellion. As músicas e até as imagens promocionais levantaram dúvidas sobre sua origem, alimentando o debate sobre o avanço da IA na indústria musical.
Embora o projeto mantenha uma aura de mistério, investigações da imprensa internacional apontam fortes indícios de que grande parte do material tenha sido produzida com ferramentas de inteligência artificial, ainda que seus responsáveis nunca tenham confirmado oficialmente todos os detalhes do processo.
Agora, Balch pretende inverter a lógica.
“Formei uma banda tributo ao grupo de IA mais famoso de todos. Em vez de dar dinheiro para o Velvet Sundown, vou destinar todo o lucro para músicos de verdade, cujo trabalho foi roubado pela IA.”
Objetivo é superar a banda original nas plataformas
A estratégia do Bootleg Velvet Sundown é regravar, em estúdio, músicas lançadas pelo grupo gerado por IA, utilizando uma formação composta pelos músicos Leo Walrus, Enzo Allen, Milo Garland e Luke McQueen.
Segundo Balch, a meta é ousada.
Ele afirma querer transformar o projeto na primeira banda tributo capaz de superar a própria “banda original” em número de reproduções nas plataformas de streaming, usando exatamente o mesmo repertório para chamar atenção ao debate sobre autoria, direitos autorais e remuneração dos artistas.
Debate sobre IA na música ganha novos protagonistas
O caso amplia uma discussão que vem crescendo na indústria musical desde a popularização de ferramentas capazes de criar composições completas, vozes artificiais e imagens promocionais praticamente indistinguíveis das produzidas por humanos.
Nos últimos meses, guitarristas, produtores, fabricantes de equipamentos e criadores de conteúdo têm demonstrado preocupação com o uso indiscriminado da tecnologia, especialmente quando modelos de IA são treinados utilizando obras protegidas por direitos autorais.
Nesse cenário, o Bootleg Velvet Sundown surge menos como um projeto comercial e mais como um protesto artístico. Em vez de tentar impedir a circulação da música gerada por IA, seus integrantes decidiram disputar espaço utilizando aquilo que consideram seu maior diferencial: performances feitas por músicos de verdade.




