O mundo da música perdeu um de seus artistas mais originais. James “Blood” Ulmer, guitarrista, cantor e compositor norte-americano conhecido por unir jazz, blues, funk e experimentação em uma linguagem absolutamente própria, morreu aos 86 anos. A informação foi confirmada pela família do músico, que informou que Ulmer faleceu em 3 de junho.
Nascido como Willie James Ulmer, em 1940, na Carolina do Sul, o músico construiu uma carreira singular ao longo de mais de seis décadas. Depois de atuar em bandas de soul, rhythm & blues e funk, mudou-se para Nova York no início dos anos 1970, onde iniciou uma trajetória que mudaria para sempre sua relação com o instrumento.
Foi nesse período que Ulmer passou a trabalhar com nomes como Art Blakey, Joe Henderson e Rashied Ali. Porém, sua transformação artística aconteceu após a aproximação com o saxofonista Ornette Coleman, que o introduziu ao conceito harmolódico, uma abordagem musical baseada na liberdade melódica e harmônica. Essa filosofia se tornaria a espinha dorsal de sua obra.
O guitarrista que criou um caminho próprio
Embora frequentemente comparado a Jimi Hendrix pela intensidade sonora e pela ousadia de suas improvisações, Ulmer nunca foi um imitador. Sua guitarra misturava o peso do blues, a agressividade do rock, a liberdade do free jazz e a pulsação do funk em uma combinação difícil de classificar.
Seu álbum de estreia, Tales of Captain Black (1979), já apontava para essa direção. Nos anos seguintes, trabalhos como Are You Glad to Be in America?, Free Lancing, Black Rock e Odyssey consolidaram sua reputação como um dos músicos mais inovadores de sua geração.
A revista Rolling Stone chegou a descrevê-lo como o guitarrista mais original surgido desde Hendrix, reconhecimento raro para um artista que sempre transitou entre o experimental e o popular.
Influência além do jazz
Ao longo da carreira, Ulmer liderou projetos como o Music Revelation Ensemble e o Phalanx, além de colaborar com artistas de diferentes universos musicais. Seu currículo inclui trabalhos com nomes como Ry Cooder e o grupo The Roots.
Nos anos 2000, voltou a se aproximar do blues, lançando álbuns como Memphis Blood: The Sun Sessions, trabalho que lhe rendeu sua única indicação ao Grammy.
Um legado difícil de repetir
James “Blood” Ulmer encerrou sua carreira em 2024, realizando sua última apresentação durante o Detroit Jazz Festival. Sua morte encerra a trajetória de um músico que jamais aceitou limites estilísticos ou convenções estéticas.
Mais do que um virtuose, Ulmer foi um explorador sonoro. Sua obra permanece como referência para guitarristas interessados em ultrapassar fronteiras e enxergar a guitarra não apenas como instrumento de execução, mas como ferramenta de invenção artística.





