Nuno Bettencourt subiu ao palco do festival Back to the Beginning empunhando o protótipo da própria marca de guitarras sem que a Washburn, sua parceira por mais de três décadas, soubesse do que se tratava. O que parecia uma jogada de marketing ensaiada foi, segundo o próprio guitarrista, puro impulso. Poucos meses depois, a Nuno Guitars nasceria oficialmente.
Em entrevista ao canal Masters of Shred, o guitarrista do Extreme não poupou a si mesmo ao relembrar a decisão. Ele conta que foi “meio idiota” ao levar a guitarra consigo, já que a Washburn nem sabia da existência do protótipo. A ideia inicial era apenas usar o instrumento para aquecer antes do show.
“De todas as N4 que já toquei na vida, é a minha favorita. Isso me assustou um pouco”, afirmou.
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O modelo N4 é a guitarra que Bettencourt desenvolveu ainda nos tempos de Washburn e que se tornou sua assinatura ao longo da carreira. A conexão com o novo instrumento foi tão imediata que ele decidiu não só usá-lo para aquecer, mas levá-lo à apresentação principal.
Bettencourt tocou diante de dezenas de milhares de pessoas no estádio e de milhões que acompanhavam a transmissão, ao lado de nomes como Jake E. Lee e da própria banda montada para homenagear Ozzy Osbourne. Ao perceber que o público notava um logo diferente no headstock, ele admite ter pensado que talvez devesse ter avaliado melhor as consequências antes de subir ao palco com a Nuno Guitars.
O guitarrista rejeita a ideia de que tudo foi calculado. Segundo ele, a melhor propaganda possível para a marca aconteceu justamente porque não houve propaganda. Ele levou o instrumento simplesmente porque queria tocá-lo, não para exibi-lo.
Para Bettencourt, criar a própria fábrica não representa uma ruptura, e sim a oficialização de algo que já era verdade havia muito tempo.
“Sempre foi a minha guitarra, com um logo da Washburn nela. Ninguém desenhou, ninguém mais fez nada, ninguém mais tocava. Era eu”, resumiu o músico.
Ele lembra que a relação com a antiga marca começou de forma inusitada, ainda no início da carreira. Quando a Washburn o procurou para um endosso, Bettencourt sequer conhecia bem a empresa e recusou usar os modelos dela. Já tinha a própria guitarra, montada a partir de peças avulsas, e fez questão de mantê-la. A parceria só avançou porque a marca aceitou trabalhar com o instrumento que ele mesmo havia concebido.
O time da Washburn migrou para a Nuno Guitars
A continuidade entre as duas marcas não está apenas no design das guitarras. Bettencourt reuniu na Nuno Guitars parte do time que já cuidava dos seus instrumentos na Washburn. Entre eles estão Gil Soucy, ex-vice-presidente e gerente-geral da antiga empresa, e Chris Meade, responsável pelo custom shop que construía suas guitarras personalizadas.
O guitarrista compara a estratégia à montagem de um time de superação. Ele defende que ninguém constrói algo relevante sozinho e que é preciso se cercar de pessoas com competências específicas. “Se você é o cara mais inteligente da sala, então está na sala errada”, disse.
Pré-vendas superaram um ano inteiro da Washburn
Bettencourt revela que, nas primeiras 24 horas de pré-venda, a Nuno Guitars vendeu mais instrumentos do que a Washburn comercializava em um ano inteiro. O resultado surpreendeu o próprio músico, que admite ter entrado no negócio sem saber se alguém compraria suas guitarras.
O volume inesperado trouxe um novo desafio. Em questão de dias, a marca precisou correr para dar conta da produção, o que explica por que as primeiras unidades começaram a ser enviadas apenas recentemente.
Assista à entrevista completa de Nuno Bettencourt ao Masters of Shred no vídeo abaixo:





