Paul Gilbert passou décadas sendo sinônimo de precisão e velocidade. Mas uma confissão feita durante uma entrevista ao canal Stairway to Rock revela uma outra faceta do guitarrista — a de um músico que ainda está descobrindo algo novo na própria forma de tocar.
A conversa surgiu a partir de uma pergunta simples sobre improvisação: se ele costumava registrar solos espontâneos em estúdio ou preferia gravar várias versões antes de decidir. A resposta foi mais pessoal do que técnica.
“Tem algo em que não sou muito bom e que quero melhorar: escrever músicas com uma seção longa onde eu possa improvisar”, disse Gilbert.
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A explicação veio carregada de uma honestidade que vai além de qualquer autocrítica ensaiada.
Por que Gilbert evitou os solos longos durante tanto tempo
Quando criança, Gilbert simplesmente não tinha paciência para ouvir solos extensos. “Light My Fire”, do The Doors, com sua famosa seção instrumental, era para ele um momento de tédio no rádio. “Ficava pensando: quando é que o vocalista vai voltar?”, lembrou, com bom humor.
Essa preferência moldou diretamente seu estilo como compositor. A referência era Eddie Van Halen — solos curtos, densos e que saíam de cena antes de desgastar. Para Gilbert, essa economia era uma virtude.
O que mudou foi o tempo. Com os anos, ele passou a ouvir de forma diferente e hoje consegue se perder em uma improvisação longa sem aquela antiga impaciência. A virada não foi repentina — foi gradual, quase silenciosa.
O novo álbum como ponto de partida
No álbum WROC, lançado recentemente, uma faixa chamada “Show Not Yourself Glad (at the Misfortune of Another)” sinaliza esse novo caminho. O final da música foi estruturado de forma que, ao vivo, Gilbert possa estendê-lo sem limite definido, improvisando livremente.
Em estúdio, ele ainda se contém. “Não quero entediar o público”, admitiu. Mas ao vivo, a intenção é outra: deixar a música respirar e ver até onde ela vai.
Para um guitarrista que sempre soube exatamente o que estava fazendo, assumir que ainda há algo a explorar é, em si, um sinal de saúde artística.




