O guitarrista Paul Gilbert revelou recentemente como nasceu um dos momentos mais curiosos de sua carreira: tocar guitarra usando uma furadeira elétrica no palco.
A história foi contada em entrevista ao site Ultimate Guitar.
Conhecido por técnica precisa e velocidade impressionante, Gilbert sempre levou o virtuosismo a sério. Mas, em determinado momento, percebeu que apenas tocar bem não bastava. Era preciso transformar o show em experiência.
Segundo o músico, a ideia surgiu quando ele e seus colegas buscavam formas de deixar as apresentações mais interessantes. A intenção não era competir com outros guitarristas. A ideia, desde o início, era criar surpresa.
A fase no Racer X e a construção do espetáculo
Naquele período, Paul Gilbert fazia parte do Racer X, grupo que se consolidou como referência do heavy metal técnico nos anos 1980. Os shows eram marcados por riffs velozes, solos extensos e alto nível de precisão. Ainda assim, Gilbert sentia que a experiência ao vivo poderia ir além da execução impecável.
A preocupação não era tocar mais rápido ou mais alto, mas tornar a apresentação mais envolvente. A banda queria que o público não apenas ouvisse com atenção, mas também fosse surpreendido visualmente. Era preciso criar um momento que quebrasse a expectativa comum de um show instrumental focado apenas na técnica.
Foi nesse contexto que surgiu a ideia de usar uma furadeira elétrica como parte da performance. Gilbert percebeu que o movimento giratório da ferramenta poderia ser aplicado diretamente às cordas, produzindo um efeito sonoro áspero e imprevisível. O resultado não era exatamente convencional, mas cumpria seu papel de causar impacto imediato.
No palco, a imagem chamava atenção antes mesmo da próxima nota soar. A combinação entre virtuosismo e um objeto improvável criava contraste. Não havia ali tecnologia complexa ou planejamento elaborado. Justamente por ser simples e inusitado, o recurso se tornava memorável.
Consciência artística e senso de humor
Ao relembrar o episódio, no videocast Stairway to Rock, Gilbert descreveu a ideia como “ridícula”, mas o tom foi de bom humor. A palavra não carrega arrependimento, e sim a consciência de que o exagero fazia parte da proposta. Ele sabia que estava brincando com os limites do que se espera de um guitarrista técnico.
Segundo o músico, a intenção sempre foi tornar o show mais interessante. A furadeira não substituía a técnica, nem diminuía o rigor musical das apresentações. Funcionava como um elemento adicional, capaz de transformar um momento do concerto em algo inesperado.
Essa postura revela um traço importante de sua trajetória. Mesmo reconhecido como um dos guitarristas mais técnicos de sua geração, Gilbert nunca adotou uma postura excessivamente séria no palco. A habilidade caminhava ao lado do senso de humor.
Com o tempo, a cena da furadeira se tornou um dos momentos mais lembrados de seus shows. Para muitos fãs, virou símbolo de irreverência. Para outros, demonstração de que performance também envolve criatividade e coragem para experimentar.



