Foto: divulgação

Gravadora? Isso ainda existe? Sim, e em formatos cada vez mais distintos. Algumas delas ainda trabalham com o modelo tradicional de mídia física, enquanto outras apostam diretamente no streaming.

Paulo Baron, empresário da Top Link Music que produziu shows e gerenciou bandas do porte de Scorpions, Angra, Shaman e mais, falou sobre o assunto em entrevista à edição 108 da Guitarload (clique aqui para ler na íntegra). O manager divulga a masterclass, ‘Rocking Your Life‘, onde compartilha seus conhecimentos adquiridos no showbusiness e traz convidados de vários segmentos da música.

A masterclass traz um tópico específico sobre gravadoras. Nele, Rodrigo Ratto (Ditto Music) e Luiz Garcia (head de marketing da Universal Music) mostram como esses diferentes universos, de streaming e mídia física, acabam dialogando.

Ratto, por exemplo, deixou a própria Universal, uma gravadora tradicional, para trabalhar diretamente com o streaming. Garcia, por sua vez, pertence a modelos mais tradicionais de selos fonográficos.

“É interessante escutar o cara da gravadora explicando que a menos que você seja um grande artista, ou se a gravadora esteja buscando um estilo específico, a maioria dos artistas precisa saber como distribuir sua música”, comentou Paulo Baron, durante a entrevista.

Gravadoras – antes e depois

Ainda durante o bate-papo, Baron contou como esse segmento de gravadoras funcionava no passado – e o que mudou.

“Quando fui empresário do Shaman, assinei com a Universal e, na época, ainda se pagava o ‘advance’, que o músico pensa que ganhou uma grana da gravadora, mas na verdade é um empréstimo. Depois, eles retiram essa grana com as vendas. Só que, agora, não está mais no CD e, sim, no streaming. E o ganho no streaming para uma banda pequena é menor. Então, qual é a lógica de uma grande gravadora contratar um desconhecido?”

Anos depois do Shaman, Paulo Baron passou a trabalhar com o Angra e fez uma boa negociação para eles nas plataformas de streaming, na época do álbum “Secret Garden” (2015).

“Ninguém sabia do streaming. Kiko (Loureiro, guitarrista) já morava nos Estados Unidos e avisou que o streaming viria com tudo. Vendemos na Universal uns 15 mil CDs, que era muito na época. Quando renovamos para lançar o álbum seguinte, ‘Omni’ (2018), eles quiseram ficar com 70% do streaming e eu falei que não fazia sentido, pois só venderíamos 5 mil CDs do ‘Omni’. Então, tirei a banda da Universal, amigavelmente, e levei para a ONErpm, onde ficamos com 85% do streaming, por sermos os primeiros clientes, e lançamos o álbum físico do ‘Omni’ por nós mesmos.”

Como gravadora ganha no streaming se paga tão pouco

Se a renda obtida com o streaming é tão baixa (calculada entre US$ 3 mil e US$ 5 mil a cada milhão de plays), como é que existem gravadoras especializadas nisso? “Pela quantidade”, revela Baron.

“O segredo deles é ter muitos artistas. O Arthur, dono da ONErpm, trabalhava para uma grande gravadora quando teve a ideia de montar a empresa e fechou contrato com todos. Brinco que ele é o culpado do funk brasileiro ter se propagado tanto, pois ele assinou com todos os artistas que ninguém ligava”, afirmou.

A edição 108 da Guitarload (clique aqui para ler na íntegra) está no ar e traz a entrevista com Paulo Baron na íntegra, além de bate-papos com Nuno Mindelis e Tyler Bryant e muitos outros conteúdos sobre guitarra e guitarristas!

Serviço – “Rocking Your Life”

  • O que é: masterclass online sobre a indústria musical, seus agentes e relação, produtos e projetos musicais e gestão de negócio e carreira, com foco no sucesso do seu projeto ou banda.
  • Público-alvo: músicos, empresários e produtores do segmento musical.
  • Inscrições: pelo site, www.rockcentury.com.br, para entrar na lista da próxima turma.
  • Valor: R$ 1.390,00 (por boleto bancário, cartão de crédito com parcelamento ou PayPal).