Capturas NAM soam iguais quando você as roda em pedaleiras diferentes, de preços diferentes? A pergunta é recorrente entre guitarristas que pensam em migrar para esse universo, e a Andertons TV foi atrás da resposta. O canal colocou quatro multi-efeitos lado a lado, do mais barato ao mais caro, rodando exatamente os mesmos perfis, num teste que ajuda a entender o que realmente muda quando o preço sobe.
O NAM, sigla para Neural Amp Modeler, é um sistema gratuito e de código aberto que captura o som de amplificadores e pedais e permite compartilhar essas capturas com uma comunidade. Depois, basta um equipamento compatível para carregar e tocar com esses sons. Hoje esse suporte aparece desde multi-efeitos de entrada até unidades bem mais avançadas e caras, o que torna a comparação inevitável.
Como o teste foi montado
Para responder à dúvida, Lee e Pete usaram cinco perfis de amplificador e, em quatro deles, adicionaram o mesmo IR em cada aparelho, no caso, um IR captado com um microfone Shure SM57. O único ponto que variou de propósito foi o reverb, próprio de cada unidade.
Um detalhe técnico define boa parte do resultado. Existem gerações diferentes de captura. O perfil A2 é o mais recente e de maior qualidade, disponível em equipamentos com mais poder de processamento. O A1 é anterior e mais acessível. E os aparelhos de entrada convertem perfis A1 para um formato proprietário, no caso da Valeton chamado SnapTone.
Os quatro multi-efeitos foram organizados por ordem de preço:
- Valeton GP-180
- NUX MG-50Li
- HeadRush Core (com a atualização de firmware 5.1)
- Darkglass Anagram.
O que os testes revelaram
Os amplificadores capturados em NAM foram: Fender Deluxe Reverb, Vox AC30, Friedman Pink Taco, Hiwatt Super-Hi 33 e Peavey 5150. Com exceção do 5150, que rodou sem IR externo, todos usaram o mesmo arquivo de impulso nos quatro aparelhos, para manter a comparação consistente.
Com o Fender Deluxe Reverb como base, a versão SnapTone do Valeton já apresentou uma granulação extra no som, algo como uma distorção sutil ligada à conversão. O A1 melhorou a definição, e o A2 do HeadRush trouxe mais clareza, mais grave e um agudo mais próximo de um amplificador real.
O padrão se repetiu nos demais amplificadores. Duas conclusões ficaram claras. A qualidade do perfil pesa muito, com A2 acima de A1, que por sua vez supera a conversão proprietária. E quanto mais barato o aparelho, mais ruído de fundo apareceu, exigindo noise gates em praticamente todos os patches.
Outro ponto interessante surgiu ao reduzir o volume da guitarra. Nos aparelhos e perfis melhores, o som reagia de forma mais parecida com a de um amplificador de verdade, limpando com naturalidade a saturação do amp.
Hardware importa
Quando o teste comparou A2 contra A2, entre HeadRush e Anagram, as diferenças ficaram bem pequenas, perceptíveis sobretudo nas dinâmicas e na região de graves e médios-graves ao tocar mais suave. Isso mostra que, além do perfil, contam a qualidade dos preamps, das entradas e da conversão analógico-digital de cada unidade.
A resposta, portanto, tem duas camadas. Rodar a mesma captura NAM em pedaleiras diferentes não entrega exatamente o mesmo som, mas a maior parte da diferença vem da geração do arquivo.
Entre aparelhos de qualidade equivalente rodando A2, o intervalo é estreito. Como resumiram no vídeo, você recebe aquilo pelo que paga, e há vários outros motivos, como funções e construção, para escolher um equipamento em vez de outro.
Quer ouvir cada comparação com seus próprios ouvidos? O teste completo, conduzido por Lee e Pete, está no vídeo do canal Andertons TV logo abaixo. Vale assistir na íntegra.





