“The Final Countdown” é daquelas músicas que fazem parte do repertório de bandas cover do mundo inteiro. Logo nas primeiras notas dos teclados, o público já reconhece o clássico do Europe, lançado em 1986. E, quando chega a hora do solo de guitarra, John Norum tem uma passagem que muita gente tenta reproduzir nota por nota.
O curioso é que, segundo o próprio guitarrista, até hoje ninguém conseguiu tocar o solo exatamente como ele gravou. Em entrevista à Guitar World, Norum revelou que existe uma nota escondida na execução, tão rápida que dura apenas um milésimo de segundo.
“Vejo muita gente online fazendo errado. Pode soar parecido, mas nunca fica exatamente certo”, afirmou o músico, que diz nunca ter encontrado uma versão capaz de reproduzir esse pequeno detalhe.
Norum não revelou qual é a nota nem explicou como executá-la. Mas a declaração dá uma nova perspectiva a um solo que guitarristas tentam tirar há décadas e que continua sendo um dos momentos mais reconhecíveis da música.
Ritchie Blackmore foi uma das referências
Ao recordar a criação do solo, Norum atribuiu parte da inspiração a Ritchie Blackmore, guitarrista do Deep Purple e do Rainbow. “Tudo começou com Ritchie Blackmore. Devo agradecê-lo por isso”, declarou.
A influência ajuda a contextualizar a abordagem técnica de Norum, marcada por frases melódicas, precisão e passagens rápidas. O guitarrista, no entanto, distinguiu o processo de composição de “The Final Countdown” daquele utilizado em outras músicas do Europe.
Segundo ele, o solo da faixa-título foi planejado e trabalhado, enquanto o de “Rock the Night” surgiu de maneira improvisada. Norum também contou que ele e o vocalista Joey Tempest gravaram as primeiras demos na casa do cantor, utilizando um Rockman, equipamento compacto de amplificação e efeitos popularizado nos anos 1980.
Por que o solo de “The Final Countdown” continua tão marcante?
Para Norum, a construção melódica é parte fundamental de um bom solo. Ele citou Michael Schenker, ex-guitarrista do UFO, como uma referência importante para sua maneira de desenvolver passagens instrumentais.
O músico explicou que prefere apresentar uma melodia reconhecível, explorar trechos de maior intensidade e depois retornar ao tema principal. Também costuma incorporar elementos do refrão ao solo, criando uma ligação entre as diferentes partes da composição.
“Ficar improvisando e me exibindo sem pensar é meio inútil para mim”, afirmou. Ao rever gravações antigas, ele chega a considerar exageradas algumas de suas performances ao vivo durante os anos 1980, quando costumava tocar de maneira mais intensa.
Essa visão ajuda a entender por que Norum não trata a velocidade como o único elemento importante de um solo. A articulação das notas, a construção melódica e a escolha dos momentos de maior intensidade fazem parte da identidade de sua execução.






