Muito antes de se tornar o guitarrista do Primus, Larry LaLonde passou cerca de dois anos estudando com Joe Satriani. E, segundo ele, a maior lição do mestre nunca foi decorar escalas, mas aprender a quebrar as regras.
Em entrevista ao Ultimate Guitar, LaLonde revelou que Satriani incentivava seus alunos a experimentar justamente as notas que, teoricamente, “não deveriam” funcionar. A filosofia acabaria influenciando diretamente o jeito peculiar de tocar que o guitarrista desenvolveria no Primus.
“Às vezes, a nota errada é a nota certa”
LaLonde lembra que Satriani ensinava teoria com profundidade, mas fazia questão de mostrar que ela era apenas uma ferramenta, não uma prisão criativa.
“Ele dizia: ‘Se você está tocando um acorde de Lá maior, essas são as notas que normalmente funcionam. Mas, às vezes, as que não funcionam são justamente as mais legais. Experimente tudo até encontrar algo que soe do seu jeito’.”
Para o guitarrista, essa liberdade foi decisiva para construir uma identidade própria, distante da ideia de simplesmente copiar seus ídolos.
O exercício que uniu uma geração de guitarristas
Entre os muitos alunos de Satriani estão nomes como Kirk Hammett, Steve Vai, Alex Skolnick e o próprio Larry LaLonde. Curiosamente, todos compartilham o mesmo ritual de aquecimento.
O exercício é simples na aparência: percorrer todas as cordas usando combinações como 1-2-3-4, alternando dedos, posições e padrões geométricos ao longo do braço. A regra era rigorosa: errou uma nota, voltava ao início.
Segundo LaLonde, o objetivo não era apenas desenvolver velocidade, mas independência e controle absoluto dos dedos.
Rush, Randy Rhoads e uma aula particular de percepção
As aulas também incluíam músicas levadas pelos próprios alunos. LaLonde recorda que grande parte do repertório vinha de Rush e Randy Rhoads, e se impressionava com a facilidade de Satriani para decifrar harmonias complexas de ouvido.
“O Alex Lifeson tem acordes difíceis de identificar, mas o Joe levava dois segundos para descobrir tudo. Era inacreditável ver aquilo de perto.”
Mais do que técnica, LaLonde diz que assistir Satriani tocar a poucos metros de distância fazia parecer que aquele nível de musicalidade era, de alguma forma, possível de alcançar.



