Durante anos, os termos “relic” e “envelhecimento” passaram a ser usados quase como sinônimos no universo das guitarras. Para Mark Agnesi, Diretor de Experiência da Marca da Gibson, porém, essa associação está longe de ser correta.
Em participação no podcast Inside The Noise, apresentado por Gabe Dalporto, CEO da Guitar Center, Agnesi afirmou que a Gibson evita até mesmo usar o termo “guitarra relicada” para descrever os instrumentos produzidos pela Murphy Lab. Segundo ele, existe uma diferença conceitual importante entre simplesmente simular desgaste e recriar a experiência de uma guitarra vintage.
“Detesto esse termo. Nós não relicamos guitarras. Nós envelhecemos guitarras”, afirmou.
O objetivo vai além dos arranhões
Segundo Agnesi, o relic tradicional costuma estar associado à criação artificial de riscos, lascas e marcas de uso. Já o envelhecimento praticado pela Murphy Lab parte de uma abordagem muito mais ampla.
O executivo explica que a equipe estuda guitarras vintage autênticas para reproduzir não apenas a aparência, mas também características naturais adquiridas ao longo de décadas, como o envelhecimento do verniz, a sensação do braço, o desgaste dos componentes e a experiência geral de tocar um instrumento histórico.
“Mesmo uma guitarra que passou 60 anos guardada em um armário apresenta rachaduras naturais no acabamento”, observou.
A experiência de uma Les Paul de 1959
Agnesi reconhece que possuir uma Gibson Les Paul original de 1959 é um sonho praticamente inacessível para a maioria dos músicos. Justamente por isso, ele acredita que o trabalho desenvolvido pela Murphy Lab busca democratizar essa experiência.
Segundo o executivo, a intenção é permitir que mais guitarristas sintam algo próximo ao impacto de abrir o case de um instrumento histórico, ainda que sem o preço milionário de um exemplar original.
“Como podemos oferecer ao maior número possível de pessoas a sensação de abrir o estojo e dizer: ‘Caramba!’? É isso que representa a Gibson Custom Shop, especialmente a Murphy Lab.”
Murphy Lab aposta em pesquisa e tecnologia
Criada oficialmente em 2019, a Murphy Lab utiliza técnicas desenvolvidas pelo mestre luthier Tom Murphy, combinando trabalho artesanal com processos modernos de escaneamento e análise de instrumentos vintage.
Agnesi afirma que o nível de pesquisa empregado atualmente fez com que a distância entre as reedições envelhecidas e os instrumentos originais diminuísse significativamente.
Ele relembrou sua época trabalhando na tradicional Norman’s Rare Guitars, em Los Angeles, onde costumava ouvir que uma boa reedição entregava cerca de “90%” da experiência de uma guitarra vintage. Segundo ele, esse percentual evoluiu para algo próximo de 95%, restando apenas uma pequena parcela ligada ao valor histórico e de colecionador dos instrumentos originais.
O valor da guitarra vintage continua existindo
Apesar dos avanços, Agnesi reconhece que uma guitarra produzida décadas atrás continuará carregando uma aura própria.
Segundo ele, parte do fascínio por um instrumento original está justamente em seu contexto histórico, algo impossível de reproduzir integralmente.
“Existe uma magia e uma aura em possuir algo original da época. É isso que você está comprando”, afirmou.
Ainda assim, o executivo acredita que cabe ao músico decidir se um instrumento vintage é realmente superior em termos práticos. No seu caso, ele afirma estar perfeitamente satisfeito tocando suas guitarras produzidas pela Murphy Lab.




